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Primeiro encontro marcado: Lula irá depor a Moro em 10 de maio
Como diria Fiori Gigliotti, um conhecido locutor esportivo do passado, fecham-se as cortinas e termina o espetáculo.
Os que torceram desbragadamente para o réu ou para o julgador, agora querem saber o placar final. Quem piscou primeiro? Quem foi mais rápido no gatilho? Quem mordeu o pó da derrota?
A resposta é simples: nenhum deles. Pois tudo não passou de mais uma Batalha de Itararé.
Para as novas gerações, tão desconhecedoras e indiferentes ao que ocorreu antes de gloriosamente chegarem ao mundo, rememoro.
Corria o ano da graça de 1930. As tropas insurgentes de Getúlio Vargas vêm do Rio Grande do Sul para tentarem tomar a capital federal (Rio de Janeiro). Os efetivos leais ao presidente que elas querem depor, Washington Luiz, esperam-nas no município de Itararé, na divisa entre SP e PR. Canta-se em prosa e verso aquela que será a mais formidável e sangrenta das batalhas.
Mas, nem um único tiro chega a ser disparado; antes disso, o presidente bate em retirada, entregando o poder a uma junta governativa.
Ironizando, o grande humorista Aparício Torelly escreve que, como nada lhe reservaram no rateio de cargos governamentais entre os vencedores, ele próprio se outorgaria a recompensa:
"O Bergamini pulou em cima da prefeitura do Rio, outro companheiro que nem revolucionário era ficou com os Correios e Telégrafos, outros patriotas menores foram exercer o seu patriotismo a tantos por mês em cargos de mando e desmando… e eu fiquei chupando o dedo.
Foi então que resolvi conceder a mim mesmo uma carta de nobreza. Se eu fosse esperar que alguém me reconhecesse o mérito, não arranjava nada. Então passei a Barão de Itararé, em homenagem à batalha que não houve".
[caption id="attachment_293680" align="alignleft" width="414" caption="Lula e Moro e sua "Batalha de Itararé""]