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Autoridades lamentam morte de Sebastião Salgado

Fotógrafo mineiro morreu aos 81 anos, após complicações de saúde causadas por malária contraída nos anos 1990.

23/5/2025
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Morreu nesta quinta-feira (23), aos 81 anos, Sebastião Salgado, um dos maiores nomes da fotografia jornalística e artística mundial. Nascido em Aimorés, Minas Gerais, o fotógrafo enfrentava problemas de saúde causados por uma malária adquirida nos anos 1990. Sua morte foi confirmada pelo Instituto Terra, organização fundada por ele e por sua esposa, Lélia Wanick Salgado.

Salgado era conhecido por sua habilidade única de capturar, em preto e branco, tanto a beleza quanto as contradições do planeta. Formado em economia, iniciou sua carreira fotográfica em 1973 e percorreu mais de 120 países. Projetos como Trabalhadores, Êxodos e Gênesis entraram para a história da fotografia.

Ícone da fotografia documental vivia em Paris e estava afastado do trabalho de campo desde 2024.Cristiane Mota /Fotoarena/Folhapress

A notícia de sua morte gerou comoção entre autoridades brasileiras. De acordo com o presidente Lula, "sua obra continuará sendo um clamor pela solidariedade. E o lembrete de que somos todos iguais em nossa diversidade". O chefe de governo acrescentou que "Salgado não usava apenas seus olhos e sua máquina para retratar as pessoas: usava também a plenitude de sua alma e de seu coração".

O vice-presidente Geraldo Alckmin também se pronunciou. "Com suas lentes, Sebastião Salgado nos revelou as belezas e injustiças do mundo, congeladas em seus registros fotográficos. Uma celebração da vida e da natureza e um chamado à ação consciente", disse em suas redes sociais.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, escreveu: "Sua lente capturou a alma do mundo, com olhar humano, poético e profundamente transformador". Fernando Haddad, ministro da Fazenda, se somou. "Eu perdi um amigo. O Brasil perdeu um dos maiores expoentes da fotografia mundial. A morte de Sebastião Salgado deixa uma lacuna irreparável no jornalismo brasileiro. Descanse em paz, companheiro".

Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou o compromisso social do artista: "Sebastião Salgado colocou sua lente a serviço da humanidade ao retratar as contradições do mundo". O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), também chamou atenção sobre esse aspecto de seu trabalho. "Com suas lentes e sua sensibilidade, seu senso estético, buscou a tragédia social do Brasil, de outros cantos do mundo e expôs aos olhos nus nos mais importantes salões do mundo".

O senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da Comissão de Meio Ambiente, lembrou do impacto ambiental de seu trabalho: "Ao lado de sua companheira de vida, Lélia, plantou mais de 2,5 milhões de árvores (...) como quem não apenas registrou o mundo, mas o reinventou". Eliziane Gama (PSD-MA), que coordena a Frente Parlamentar Ambientalista na Casa, também tocou nesse ponto. "O Brasil perde um ícone da preservação e reflorestamento dos nossos biomas"

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, foi categórica ao ressaltar o papel político da obra de Salgado. Em sua homenagem, destacou a fotografia como ferramenta de transformação social e política. "Sebastião Salgado fez de sua arte, a fotografia, um poderoso instrumento de denúncia contra a desigualdade", escreveu.

Outros parlamentares também se manifestaram, confira suas falas:

Últimos dias

Sebastião Salgado se aposentou em 2024, quando relatou ao jornal The Guardian os efeitos físicos de décadas de trabalho em ambientes hostis. "Sei que não viverei muito mais. Mas não quero viver muito mais. Já vivi tanto e vi tantas coisas", disse na ocasião.

Além de sua obra fotográfica, Salgado deixa um legado ambiental marcante com o reflorestamento da Mata Atlântica via Instituto Terra. Ele morava em Paris, com a esposa. Deixa dois filhos e dois netos.

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