O presidente Lula participou na manhã deste domingo (7) do desfile cívico-militar de 7 de Setembro, realizado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, Lula chegou ao evento em carro aberto por volta das 9h04 e prestigiou a solenidade que reuniu milhares de pessoas.
Neste ano, o governo adotou o mote "Brasil Soberano", reforçado nos discursos oficiais, nas peças visuais e até nos bonés distribuídos ao público. O slogan foi usado como contraponto ao tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs sobretaxa a produtos brasileiros, e também como resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Apesar da presença maciça de ministros, nenhum integrante do Supremo Tribunal Federal compareceu ao desfile. A ausência foi notada no momento em que Lula exaltou a democracia e a independência entre os Poderes, em meio ao clima de julgamento histórico de Bolsonaro e outros réus pelos ataques de 8 de janeiro.
Em outro momento marcante, parte do público gritou "Sem anistia", em referência direta à proposta de perdão articulada por parlamentares do PL e do Centrão no Congresso. O coro ecoou enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acompanhava o desfile na tribuna de honra.
Bonés de "Brasil Soberano" e ministros sob pressão
Entre os presentes, chamou atenção o gesto do ministro do Turismo, Celso Sabino (União-PA), que vestiu o boné distribuído pelo governo com a inscrição "Brasil Soberano". Sabino tenta resistir no cargo mesmo após seu partido decidir se afastar formalmente da base governista.
Outro ministro em situação semelhante é André Fufuca (PP-MA), titular do Esporte, cujo partido também desembarcou do governo. Ambos acompanharam a cerimônia lado a lado com aliados de Lula.
Organização e segurança
O desfile foi estruturado em três eixos temáticos:
- defesa da soberania nacional;
- organização da COP30 em Belém;
- obras e entregas do Novo PAC.
Para a segurança, a Esplanada recebeu reforço do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Forças Armadas e polícias do DF, com monitoramento por drones, revistas e bloqueios viários.
Autoridades presentes
Além de Lula e Janja, participaram da cerimônia:
- Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços;
- Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados;
- José Múcio, ministro da Defesa;
- Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça;
- Rui Costa, ministro da Casa Civil;
- Marina Silva, ministra do Meio Ambiente;
- Simone Tebet, ministra do Planejamento;
- Camilo Santana, ministro da Educação;
- Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social;
- Margareth Menezes, ministra da Cultura;
- Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas;
- Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial;
- Márcia Lopes, ministra das Mulheres;
- Esther Dweck, ministra da Gestão;
- Márcio França, ministro do Empreendedorismo;
- Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia;
- Renan Filho, ministro dos Transportes;
- Vinicius Carvalho, ministro da CGU;
- Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores;
- André de Paula, ministro da Pesca;
- Celso Sabino, ministro do Turismo;
- André Fufuca, ministro do Esporte;
- Luciana Santos, ministra da Ciência e Tecnologia;
- Waldez Goés, ministro da Integração e Desenvolvimento Regional;
- Sidônio Palmeira, ministro da Secom;
- Gleisi Hoffmann, ministra de Relações Institucionais;
- Márcio Macêdo, ministro da Secretaria-Geral da Presidência;
- Marcelo Damasceno, comandante da Aeronáutica;
- Tomás Paiva, comandante do Exército;
- Marcos Olsen, comandante da Marinha; além de outros ministros, presidentes de estatais e assessores especiais do Planalto.
Clima e simbolismo
O desfile teve apresentações tradicionais, como a Esquadrilha da Fumaça e a pirâmide humana dos militares, e foi marcado por forte apelo visual à bandeira e ao lema da soberania. Nas arquibancadas, a divisão do público também ficou evidente: bandeiras verde-amarelas e gritos de apoio ao governo se misturaram a vozes contrárias à anistia.