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"Careca do INSS" promete entregar 18 milhões de páginas à CPMI

Empresário declarou em depoimento não ser responsável por irregularidades nem ter "inteligência para o lado da bandidagem".

26/9/2025
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O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", comprometeu-se a entregar 18 milhões de páginas de documentos de suas empresas à CPMI que investiga um esquema bilionário de desvio de aposentadorias e pensões. Ele disse que fará isso diretamente ou por meio da Polícia Federal. "Com o poder que essa CPMI tem, siga o dinheiro. Não sou responsável pelas irregularidades nem tenho inteligência para o lado da bandidagem", declarou.

Antunes se declarou inocente, afirmou que o apelido é fruto de uma "narrativa" e que os serviços prestados às associações de aposentados foram legítimos. Disse ainda que poderia ter ficado em silêncio, amparado por decisão do STF, mas preferiu falar "de forma transparente".

Antunes negou envolvimento com irregularidades e se recusou a responder aos questionamentos do relator da CPMI.Carlos Moura/Agência Senado

O empresário rejeitou as acusações de envolvimento em descontos irregulares em benefícios previdenciários. Negou ter tido acesso prévio à operação da Polícia Federal que resultou em sua prisão, desmentiu a posse de carros de luxo e de negócios milionários e disse nunca ter mantido relações com parlamentares ou integrantes do governo.

Antunes admitiu, no entanto, ter tido procurações específicas de associações e reconheceu que o investigado Maurício Camisotti intermediou seu contato com a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), em 2021.

Reação de parlamentares

O depoimento gerou forte reação. O senador Sergio Moro (União-PR) chamou o caso de "o maior roubo do INSS" e acusou o empresário de debochar da comissão. Fabiano Contarato (PT-ES) classificou o esquema como "roubalheira" contra os mais pobres e apontou transferências milionárias entre empresas ligadas a Antunes.

O deputado Duarte Jr. (PSB-MA) disse que o depoente confessou práticas criminosas como cartel, monopólio abusivo, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Disputa entre governo e oposição

A oitiva também foi palco para a disputa política entre PT e PL. Deputados petistas, como Paulo Pimenta (PT-RS) e Rogério Correia (PT-MG), disseram que o esquema começou no governo Bolsonaro e acusaram o ex-presidente de ignorar denúncias de irregularidades.

Já senadores oposicionistas, como Rogério Marinho (PL-RN) e Marcio Bittar (PL-AC), responsabilizaram o governo Lula, afirmando que o volume de descontos aumentou em sua gestão e comparando o caso a escândalos como o mensalão e o petrolão. Moro acrescentou que o esquema "está no colo do governo Lula".

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), fez mais de 150 perguntas em 50 minutos, embora Antunes tenha se recusado a responder aos questionamentos dele pela manhã. O empresário disse que foi desrespeitado pelo relator, que o condenou, segundo ele, sem respeitar o direito à defesa. Presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), a comissão foi instalada em agosto e deve funcionar até março de 2026.

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