A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Receita Federal (RFB), o Ministério Público da Bahia (MP/BA), por meio do Gaeco, e a Força Correcional Especial Integrada (Force/Coger/SSP-BA), deflagrou nesta quarta-feira (1º) a Operação Estado Anômico, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de capitais. A ação cumpriu 10 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão.
Entre os principais alvos das medidas judiciais está o deputado estadual da Bahia Kléber Cristian Escolano de Almeida (Patriota-BA), conhecido como Binho Galinha, que até o momento não foi localizado e é considerado foragido. As investigações, que miram uma suposta milícia ligada ao parlamentar, revelam a prática de crimes como jogo do bicho, agiotagem, extorsão e receptação qualificada em Feira de Santana, Salvador e cidades vizinhas.
A operação policial, autorizada pela 1ª Vara Criminal de Feira de Santana, resultou na prisão preventiva da mulher e do filho do deputado, além de 4 policiais militares encarregados da proteção do parlamentar. A organização criminosa, que utiliza a lavagem de dinheiro para ocultar e dissimular bens e valores, teve R$ 9 milhões bloqueados em contas bancárias. A ação mobilizou cerca de 100 policiais federais, 11 auditores-fiscais e 3 analistas tributários da Receita Federal. Se condenados pelos crimes cometidos, os investigados se sujeitam a penas máximas que, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
Overclean
O cenário de atuação policial no estado da Bahia se soma a um esforço mais amplo de combate ao desvio de verbas públicas. A PF já havia deflagrado, em 17 de setembro, a quinta fase da Operação Overclean, focada na investigação de uma organização criminosa responsável pelo desvio de emendas parlamentares federais. A operação, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em cinco cidades da Bahia, além do Distrito Federal (DF) e Petrolina (PE).
As apurações da Overclean indicaram que o grupo utilizava a manipulação de licitações e o pagamento de propinas para desviar verbas do Orçamento da União, destinadas ao município de Campo Formoso (BA). O envolvimento de recursos alocados por parlamentares levantou sérias suspeitas sobre o uso dessas emendas para financiar esquemas de corrupção. Como resposta aos indícios de crimes como organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o bloqueio de R$ 85,7 milhões das contas dos investigados, além de ter determinado o afastamento de um servidor público.