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Polícia italiana detém Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes

Segundo advogado, ele não ficará preso, mas terá restrição de circulação na Itália, em fase do processo de extradição.

1/10/2025
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A polícia da Itália deteve nesta quarta-feira (1º) o perito em computação Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a defesa de Tagliaferro, ele foi levado a uma delegacia para a aplicação de medidas cautelares relacionadas ao processo de extradição solicitado pelo Brasil.

De acordo com o advogado Eduardo Kunz, o ex-assessor não ficará preso, mas terá restrição de circulação: não poderá deixar a região onde se encontra até decisão definitiva sobre seu caso. O advogado explicou que Tagliaferro tomará ciência da medida, poderá obter cópias da documentação e em seguida será liberado para voltar para casa.

Tagliaferro participou remotamente, da Itália, de audiência na Câmara em 24 de setembro.Pablo Valadares/Agência Câmara

O que levou à detenção

O perito deixou o Brasil após ser acusado de vazar mensagens sigilosas do gabinete de Moraes. Em agosto, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou denúncia ao STF contra ele pelos crimes de:

  • violação de sigilo funcional,
  • coação no curso do processo,
  • obstrução de investigação sobre organização criminosa, e
  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O ministro Moraes autorizou o pedido de extradição no mês passado. O Ministério da Justiça e o Itamaraty encaminharam a solicitação às autoridades italianas em 20 de agosto.

Quem é Eduardo Tagliaferro

Foi chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no TSE. Atuou como assessor de Alexandre de Moraes na campanha eleitoral de 2022. Tornou-se conhecido por denúncias contra o ministro e contra autoridades ligadas às investigações de crimes atribuídos a bolsonaristas. Com cidadania italiana, vive na Itália desde o início do ano.

Tagliaferro vem fazendo acusações contra Moraes. Na semana passada, em audiência remota na Câmara dos Deputados, acusou o ministro de ter promovido uma "perseguição à direita" nas eleições de 2022. Nesta quarta-feira, ele estava convocado para falar em outra comissão da Câmara, mas a detenção na Itália impediu a participação. Sua defesa afirma que as acusações de vazamento foram instrumentalizadas e que o processo de extradição tem caráter político.

Com a aplicação das medidas cautelares, Tagliaferro aguardará na Itália a análise do pedido de extradição. Ainda não está claro se o país europeu acatará o pedido brasileiro, já que o ex-assessor é cidadão italiano. Aliados de Carla Zambelli (PL-SP), que também está presa na Itália, tentam usar o episódio como prova de perseguição. Já o Ministério Público Federal e aliados do STF sustentam que Tagliaferro comprometeu investigações sensíveis ao divulgar informações internas de tribunais.

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