Após encontrar com Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter recebido do ex-presidente a solicitação para levar em seu nome um "pedido direto" de inclusão da anistia em pauta aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP).
Segundo Flávio, a discussão sobre a anistia é a prioridade do ex-presidente, antes de se falar em apoio a um eventual sucessor na corrida presidencial. O congressista também retomou a crítica à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de transformar sua prisão domiciliar em preventiva. "Ainda que ele desse marretada na tornozeleira era impossível fugir. Moraes queria fazer e fez. Foi uma confusão mental da parte dele", declarou.
O senador relatou que o ex-presidente está "indignado e inconformado" com a prisão, e que houve piora de sua crise de soluços na unidade da PF. "Eu fico preocupado com isso. Ele acaba broncoaspirando e pode acarretar numa infecção no pulmão. Isso pode ser letal".
Retorno da anistia
O projeto de lei da anistia aos presos por envolvimento nos ataques de 8 de janeiro de 2023 tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados. O tema ganhou força em agosto, após a decretação da prisão preventiva do ex-presidente, mas emperrou em meio a divergências entre o relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), e a bancada do PL.
A proposta de Paulinho da Força é de não desafiar o STF, que possui entendimento firmado de que anistia, graça e indulto não são aplicáveis para crimes contra o Estado de Direito. No lugar do perdão, o relator propõe uma revisão das penas para esses tipos penais, promovendo assim uma mudança nas dosimetrias. Aliados de Bolsonaro, por outro lado, propõem um perdão completo.