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Taxa fixa em regulação dos apps pode aumentar custo e reduzir pedidos

Simulações apontam que tarifa de R$ 10 por entrega elevaria o preço final e reduziria demanda, com impacto para consumidores, restaurantes e entregadores.

4/12/2025
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A discussão sobre modelos de remuneração no delivery, no contexto da regulamentação do trabalho por aplicativo, voltou ao centro do debate público após simulações indicarem que propostas consideradas mais caras - como a adoção de uma taxa fixa por entrega - podem elevar o preço do serviço e reduzir o número de pedidos.

Os cálculos mostram que mudanças desse tipo afetariam diretamente consumidores, restaurantes e entregadores, reacendendo o alerta sobre a importância de calibrar os custos na fase final da regulação dos aplicativos.

Uma simulação elaborada pelo iFood mostra que uma eventual taxa fixa de R$ 10 por entrega, somada a R$ 2,50 por quilômetro rodado, poderia aumentar em até 22% o custo final pago pelo consumidor.

Embora a proposta tenha perdido força no Congresso - após o deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF) aprovar um substitutivo que adota lógica de ganho mínimo por hora, e não tarifa fixa, o tema segue despertando preocupação no setor de restaurantes e entre trabalhadores do delivery.

Um lanche de rede nacional que hoje custa R$ 24 passaria a R$ 29,30, enquanto uma marmita ficaria, em média, R$ 7 mais cara. Os impactos, no entanto, não ficariam restritos ao bolso do consumidor. A simulação projeta consequências em cadeia:

  • Restaurantes poderiam registrar queda de 43% no faturamento;
  • Renda total de entregadores teria retração de 77%;
  • Até 292 mil entregadores poderiam ficar sem atividade remunerada.

Os números partem da relação direta entre preço final e volume de pedidos. Com o serviço mais caro, menos consumidores solicitam delivery, reduzindo receita dos estabelecimentos e diminuindo o total de entregas disponíveis na plataforma.

Pesquisa reforça sensibilidade do consumidor

Uma pesquisa realizada pelo Congresso em Foco com dois mil leitores mostra comportamento semelhante ao estimado nas simulações.

De acordo com o levantamento:

  • 91,7% dos participantes afirmam que reduziriam ou restringiriam pedidos caso o delivery ficasse mais caro;
  • 49,1% só pediriam em ocasiões necessárias;
  • 42,6% diminuiriam a frequência.

O preço é o principal fator de decisão para 43,2% dos respondentes, seguido por taxa e tempo de entrega (37,7%). Além disso, 88,3% dizem que o custo influencia diretamente a decisão de pedir delivery.

Pesquisa foi realizada com dois mil eleitores.Arte Congresso em Foco

Debate legislativo segue em evolução

Ao longo da discussão na Câmara, diferentes modelos foram apresentados para regulamentar o setor. A tarifa fixa esteve entre as sugestões debatidas, mas não integra a versão mais recente aprovada na Comissão Especial e nem na discussão de outros projetos sobre o tema, que trabalha com a lógica de ganho mínimo por hora trabalhada.

Mesmo assim, especialistas e entidades envolvidas no tema avaliam que simulações sobre impacto de custos permanecem relevantes, já que propostas podem sofrer ajustes até a conclusão do relatório final.

Os dados da simulação e da pesquisa convergem para um ponto comum: o delivery é altamente sensível ao custo. Quando o preço sobe, a demanda diminui. E, quando o volume cai, toda a cadeia - consumidores, restaurantes e entregadores - sente os efeitos.

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