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Editorial – O atraso criado por tentar reiniciar discussões maduras

Ao tentar reabrir regulamentação dos trabalhadores por aplicativo, governo desconsidera consenso raro entre Congresso e categoria.

5/12/2025
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A representação dos motofretistas entregadores e dos ciclistas mensageiros divulgou uma nota dura, aliás, duríssima, contra a atabalhoada tentativa do ministro Boulos de deslegitimar um debate que vem sendo construído há meses entre Parlamento, trabalhadores e consumidores. Um debate sério, metódico, que não nasceu em lives, nem depende do humor das redes, mas de algo mais raro: trabalho institucional.

Às vésperas de ir ao plenário, o PLP 152/2025 chega maturado por uma comissão criada pela Câmara, após longas audiências públicas e oitiva de todos os envolvidos. O projeto, vale lembrar, busca preservar a autonomia desejada pelos motoristas, ao mesmo tempo em que assegura direitos mínimos - nada de revolucionário, porém moderno e com o básico de civilidade regulatória.

Daí o estranhamento: quando tudo está pronto para ser votado, um novel ministro decide aparecer de última hora e reivindicar protagonismo, como se quisesse reiniciar do zero uma discussão construída tijolo por tijolo. É como tentar redescobrir a roda no instante em que ela finalmente começa a girar.

Não por acaso, o sindicato subiu o tom, lembrando que "representação trabalhista não é disputa de popularidade, não é representação tiktoker; não se mede por número de seguidores, curtidas ou engajamento". Um recado direto: não se pode confundir política pública com performance.

Boulos tenta reabrir um debate que o país já amadureceu.Freepik
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