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Congresso em Foco
5/12/2025 | Atualizado 6/12/2025 às 12:49
A criação de um grupo de trabalho para rediscutir propostas de regulação trabalhista para entregadores por aplicativo provocou reação imediata do Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas de São Paulo (SindimotoSP). Em nota, a entidade acusa o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, de excluir a representação sindical formal das negociações e de privilegiar associações que, segundo o sindicato, não têm legitimidade constitucional para falar em nome dos trabalhadores.
De acordo com o sindicato, desde o início do mandato Boulos "tem reiteradamente convocado associações que não representam a categoria profissional" e que "não possuem legitimidade constitucional para negociar". A entidade afirma que essas organizações reúnem apenas pequenos grupos de associados e não podem falar em nome da categoria.
Ausência em negociação coletiva
O SindimotoSP afirma que não foi convidado para reunião de negociação realizada no TST, que contou com a presença do presidente da Corte, do ministro do Trabalho e do próprio ministro Guilherme Boulos. No encontro, segundo a nota, associações teriam sido chamadas para representar os trabalhadores do setor, enquanto o sindicato ficou de fora.
A entidade afirma ser "o maior sindicato do mundo na área de motofrete e ciclista mensageiro" e considera que sua exclusão de negociações coordenadas pelo governo representa violação ao sistema sindical previsto na Constituição.
Segundo o sindicato, o episódio não é isolado. A nota afirma que, ainda durante o mandato parlamentar, Boulos teria impedido a participação de entidades sindicais em audiência pública sobre o tema, ao mesmo tempo em que permitiu a presença das mesmas associações que agora voltam a ser chamadas.
"Não é disputa de popularidade"
A nota destaca que representação de trabalhadores deve ser exercida por sindicatos com registro formal, base territorial definida e dirigentes eleitos, e não por organizações sem personalidade sindical ou ligadas a influenciadores digitais.
No documento, o sindicato afirma que "a vida do trabalhador não cabe em 15 segundos de vídeo" e que negociação coletiva "não é palco de likes". O texto também sustenta que associações não têm amparo constitucional para firmar compromissos ou participar de mesas de negociação em nome da categoria.
Criação de grupo de trabalho
O SindimotoSP também critica a divulgação de um vídeo no qual o ministro aparece ao lado de representantes de associações anunciando a criação do grupo de trabalho para discutir temas do setor. Para o sindicato, iniciativas desse tipo não têm legitimidade sem a participação da entidade sindical formal.
O comunicado reforça que "nenhum grupo de trabalho ou negociação coletiva é legítimo sem a presença da entidade sindical" e que qualquer iniciativa que exclua o sindicato "atenta contra o sistema sindical, a representatividade democrática e a segurança jurídica das relações coletivas".
Apesar das críticas, o sindicato afirma que permanece aberto ao diálogo "com todas as instituições públicas e privadas", desde que haja respeito ao que descreve como representação legítima garantida pela Constituição de 1988.
A entidade encerra a nota afirmando que continuará atuando na defesa da categoria e da legitimidade sindical "construída ao longo de décadas de luta e organização".
Resposta da Secretaria-Geral
Em nota, a Secretaria Geral da Presidência disse que não excluiu as entidades sindicais do processo de regulamentação do trabalho nas plataformas de entregas.
"Ao contrário, a portaria que institui o Grupo de Trabalho Técnico dos Entregadores de Aplicativos, publicada hoje no Diário Oficial da União, prevê a participação das centrais sindicais. Os representantes dos sindicatos serão escolhidos democraticamente pelo Fórum das Centrais."
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