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Exportações brasileiras para os EUA caíram 6,6% em 2025 após tarifaço

22% das exportações brasileiras para os EUA ainda estão sujeitas às tarifas estabelecidas em julho.

11/1/2026
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O ano de 2025 foi marcado pelo impacto das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, resultando em um declínio de 6,6% nas exportações brasileiras para os Estados Unidos. O montante total exportado atingiu US$ 37,7 bilhões, em comparação com os US$ 40,3 bilhões registrados em 2024.

Em contrapartida, as importações de produtos norte-americanos apresentaram um aumento de 11,3% no mesmo período, alcançando US$ 45,2 bilhões, superando os US$ 40,6 bilhões do ano anterior. Essa dinâmica resultou em um déficit de US$ 7,5 bilhões na balança comercial entre o Brasil e os Estados Unidos ao final de 2025.

Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e refletem os efeitos das tarifas implementadas pelo governo Trump. Em novembro, houve a suspensão da tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros, mas, segundo o Mdic, 22% das exportações brasileiras para os EUA, equivalentes a US$ 8,9 bilhões, ainda estão sujeitas às tarifas estabelecidas em julho.

Exportações para a União Europeia tiveram um aumento de 3,2%.Miguel Noronha/Agencia Enquadrar/Folhapress

Essa parcela inclui produtos que pagam a sobretaxa de 40% e aqueles que acumulam a tarifa extra com a taxa-base de 10%. Adicionalmente, 15% das exportações, correspondendo a US$ 6,2 bilhões, estão sujeitas apenas à tarifa de 10%. Um total de 27%, aproximadamente US$ 10,9 bilhões, são afetados pelas tarifas da Seção 232, que incidem sobre importações consideradas uma ameaça à segurança nacional pelos Estados Unidos. Apenas 36% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano estão isentas de encargos adicionais.

Mesmo após a retirada parcial das tarifas, as exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram uma queda de 7,2% em dezembro, totalizando US$ 3,4 bilhões, em comparação com os US$ 3,7 bilhões do mesmo mês em 2024. Essa foi a quinta queda consecutiva nas vendas ao mercado norte-americano desde a imposição da sobretaxa de 50% anunciada em julho pelo governo Trump. As importações de produtos estadunidenses, por sua vez, recuaram 1,5% em dezembro na comparação anual.

Em entrevista coletiva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, declarou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva mantém a estratégia de negociação e diálogo com Washington. Segundo ele, as conversas já resultaram na redução do número de produtos atingidos pelo tarifaço.

"O trabalho de redução continua. Em relação à questão comercial, o presidente Lula tem um bom relacionamento com o presidente Trump e pode avançar ainda mais. Podemos ter um ganha-ganha, tanto na questão tarifária, como não tarifária, em terras raras, datacenters. Podemos ter a aprovação da Redata [regime especial para centros de dados], que estimula investimentos. O Brasil tem energia abundante e renovável."

Em contraste com a retração nas vendas para os Estados Unidos, o comércio brasileiro com outros parceiros apresentou crescimento em 2025. As exportações para a China aumentaram 6%, totalizando US$ 100 bilhões, em comparação com os US$ 94,4 bilhões em 2024. As importações de produtos chineses subiram 11,5%, atingindo US$ 70,9 bilhões, resultando em um superávit de US$ 29 bilhões para o Brasil.

As exportações para a União Europeia tiveram um aumento de 3,2% no ano passado, somando US$ 49,8 bilhões. As importações do bloco cresceram 6,4%, alcançando US$ 50,3 bilhões, gerando um déficit de US$ 480 milhões. Em dezembro, mês marcado pelo adiamento da assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, as exportações brasileiras ao bloco avançaram 39% na comparação com o mesmo mês de 2024.

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