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Caixa dos partidos: veja quanto cada legenda arrecadou em 2025

Dados do TSE mostram predominância do fundo partidário e revelam peso das doações privadas.

13/1/2026
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Ao longo de 2025, os partidos políticos brasileiros movimentaram centenas de milhões de reais. A maior parte desses recursos teve origem no Fundo Partidário, mecanismo público de financiamento das legendas, mas os balanços enviados à Justiça Eleitoral também revelam a participação de doações de filiados, dirigentes partidários e pessoas físicas externas às siglas.

Todos os valores arrecadados precisam ser informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ficam disponíveis para consulta pública. O prazo final para a entrega das prestações de contas referentes ao ano passado é 30 de junho, o que significa que os números ainda podem sofrer alterações.

Contribuições internas

Além dos repasses públicos, alguns partidos adotam regras internas que obrigam filiados com cargos eletivos ou funções de confiança a contribuir regularmente com a legenda. É o caso, por exemplo, do PT e do MDB, cujos estatutos preveem esse tipo de contribuição partidária.

O PT declarou ao TSE, até o último sábado (10), uma arrecadação total de R$ 151,5 milhões em 2025. Desse montante, cerca de R$ 126,6 milhões vieram do Fundo Partidário. O restante inclui contribuições de filiados e dirigentes. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez 13 repasses ao longo do ano, que somaram quase R$ 74 mil. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contribuiu com R$ 40 mil, distribuídos em 11 doações.

O MDB informou ter arrecadado R$ 51,5 milhões no mesmo período, valor composto quase integralmente por recursos públicos, com complementação modesta de doações internas. O senador Renan Calheiros (AL), por exemplo, realizou 11 contribuições que totalizaram R$ 11 mil.

Todo o valor arrecado pelos partidos precisa ser declarado à Justiça Eleitoral.Arte Congresso em Foco

Doações externas

Além das contribuições internas, a legislação permite que partidos recebam doações de pessoas físicas ou jurídicas que não tenham vínculo partidário. É nesse ponto que aparecem os maiores valores individuais.

O Republicanos declarou uma arrecadação de R$ 110,3 milhões em 2025, sendo R$ 96,3 milhões provenientes do Fundo Partidário. Parte relevante do restante veio de doações privadas. A maior delas, no valor de R$ 1,74 milhão, foi feita pelo empresário Rubens Ometto, controlador do Grupo Cosan, que atua nos setores de energia e logística.

Não foi a primeira vez que Ometto, conhecido como "rei do etanol", figurou entre os maiores doadores do sistema político. Nas eleições municipais de 2024, o empresário destinou mais de R$ 18 milhões a 211 candidaturas em todo o país, segundo dados oficiais da Justiça Eleitoral.

Quanto cada partido declarou ao TSE

Até o momento, os valores informados pelas legendas incluem:

  • PL: R$ 262.156.642,72
  • PT: R$ 151.507.242,21
  • Republicanos: R$ 110.352.061,16
  • PSD: R$ 86.887.388,60
  • PP: R$ 55.253.747,43
  • MDB: R$ 51.581.492,18
  • PDT: R$ 47.539.513,16
  • Podemos: R$ 43.958.210,30
  • PSB: R$ 40.420.457,09
  • Avante: R$ 29.897.191,80
  • PSDB: R$ 28.320.137,71
  • PRD: R$ 22.706.101,70
  • Rede: R$ 13.369.901,92
  • PV: R$ 12.152.947,59
  • Novo: R$ 10.101.595,84
  • Solidariedade: R$ 9.178.173,85
  • PCdoB: R$ 6.913.527,81
  • PSTU: R$ 605.613,24
  • Democracia Cristã: R$ 561.964,04
  • Agir: R$ 712.867,97
  • Mobiliza: R$ 117.266,48

Agir, Democracia Cristã, Mobiliza, Novo, PCB, PCO, PRTB, PSTU e UP não atingiram a cláusula de desempenho e, por isso, não tiveram acesso ao Fundo Partidário em 2025. Nesses casos, a arrecadação dependeu exclusivamente de contribuições privadas. O Psol e o Cidadania ainda não haviam enviado sua prestação de contas ao TSE até a última atualização.

Fundo Partidário x Fundo Eleitoral

Embora frequentemente confundidos, os dois fundos têm finalidades distintas. O Fundo Partidário é permanente e serve para custear o funcionamento cotidiano das legendas: despesas administrativas, salários, aluguel, contas básicas, passagens aéreas e, desde 2019, também impulsionamento de conteúdo na internet e serviços jurídicos e contábeis.

Já o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, só é distribuído em anos eleitorais e pode ser usado exclusivamente para campanhas.

O Fundo Partidário é formado por recursos do Orçamento da União, multas eleitorais e outras fontes previstas em lei. A maior parte (95%) é distribuída de acordo com o desempenho dos partidos na última eleição para a Câmara dos Deputados; os 5% restantes são divididos igualmente entre as legendas que cumprem os requisitos legais.

Doações: o que é permitido e o que é proibido

A legislação eleitoral autoriza partidos e candidatos a arrecadar recursos de pessoas físicas, de filiados, de outros partidos e de seus próprios candidatos. Também são admitidos recursos provenientes da comercialização de bens, da realização de eventos de arrecadação e de rendimentos financeiros.

As doações devem ser feitas por meios rastreáveis, como transferência bancária, Pix identificado ou plataformas de financiamento coletivo autorizadas. Toda movimentação financeira precisa passar por contas bancárias específicas e respeitar os limites de gastos fixados pelo TSE.

Por outro lado, é expressamente proibido receber recursos de pessoas jurídicas, de origem estrangeira ou de fontes cuja procedência não possa ser identificada. Valores ilegais devem ser devolvidos ao doador ou, se isso não for possível, recolhidos ao Tesouro Nacional.

O uso de recursos acima do teto legal pode resultar em multa de até 100% do valor excedente, aplicada durante a análise das prestações de contas.

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