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Deputado Félix Mendonça é alvo de operação contra desvio de emendas

Operação Overclean, da Polícia Federal, investiga esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos oriundos de emendas parlamentares.

13/1/2026
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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (13) a nona fase da Operação Overclean, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, além de suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. O principal alvo desta etapa é o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), que teve o apartamento funcional em Brasília alvo de mandado de busca e apreensão.

A operação é realizada com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal. Ao todo, a PF cumpre nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal, todos expedidos pelo STF. A Corte também determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Segundo a PF, a medida busca interromper a movimentação de valores de origem ilícita e preservar recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.

Félix Mendonça Júnior foi alvo de mandado de busca e apreensão.Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Overclean

Deflagrada em dezembro de 2024, a Operação Overclean apura a atuação de uma rede de empresas, empresários e agentes públicos suspeita de utilizar emendas parlamentares para direcionar verbas federais a contratos superfaturados e empresas de fachada.

De acordo com a PF, o esquema envolvia a manipulação de processos licitatórios, pagamento de propinas e uso de operações financeiras simuladas para ocultar a origem dos recursos desviados. As investigações indicam que o grupo teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão.

Alvos políticos

As fases anteriores da Overclean atingiram prefeitos, servidores públicos, empresários e parlamentares, sobretudo na Bahia. Em outubro de 2025, a sétima fase resultou no afastamento do prefeito de Riacho de Santana, João Vítor (PSD), e na prisão do prefeito de Wenceslau Guimarães, Gabriel de Parisio (MDB), por posse ilegal de arma de fogo.

Também em outubro, o deputado federal Dal Barreto (União Brasil) foi abordado no Aeroporto Internacional de Salvador e teve o celular apreendido. O deputado Félix Mendonça Júnior já havia sido citado em fases anteriores da investigação. Em junho de 2025, por decisão do STF, o parlamentar teve o sigilo telefônico quebrado e um assessor afastado, apontado pela PF como suspeito de atuar como operador financeiro do esquema.

Bloqueios e investigações em curso

Ao longo das oito fases anteriores, o STF autorizou o bloqueio de valores que ultrapassam R$ 100 milhões, além do afastamento cautelar de servidores públicos e apreensão de dinheiro em residências de investigados.

A operação tramita no STF por envolver autoridades com prerrogativa de foro. As investigações seguem em andamento para identificar novos beneficiários, operadores financeiros e a extensão dos contratos suspeitos firmados com recursos do Orçamento da União.

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