O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação de instituição financeira investigada por atuação nas fraudes no caso Master. Segundo apuração na Polícia Federal no curso da Operação Compliance Zero, a Reag Trust estaria envolvida em esquema de movimentação de fundos de investimento para causar a falsa impressão de crescimento dos ativos do Banco Master, que também passa por processo de liquidação.
Em nota, o Banco Central afirmou que o procedimento foi determinado com base em "graves violações" das normas do sistema financeiro associadas ao comprometimento econômico da instituição.
"A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do sistema financeiro nacional."
A liquidação será coordenada pela APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo, sob responsabilidade de Antonio Pereira de Souza. A liquidante foi nomeada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no mesmo ato.
O Banco Central reiterou que irá apurar quem são os responsáveis pelas violações e comunicar autoridades competentes, caso necessário.
"O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis."
Regime de liquidação
Sob competência de determinação do Banco Central, o regime de liquidação é adotado quando a situação financeira da instituição é tida como irrecuperável. A decisão ocasiona a interrupção instantância do funcionamento e a retirada do sistema financeiro nacional.
Bens dos controladores e administradores da instituição no momento em que se determina a liquidação também são bloqueados. No momento da decretação o Banco Central também é responsável por nomear uma empresa liquidante para administrar o encerramento das operações. A empresa liquidante deve vender seus bens para transformar tudo em dinheiro e utilizá-lo para pagar as dívidas.
Compliance Zero
A decisão foi publicada no dia seguinte à deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, que resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono da instituição, e a parentes do empresário, principalmente no estado de São Paulo. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal ao tentar embarcar em voo para Dubai.
Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em endereços também na Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) responsável por relatar as investigações, Dias Toffoli, também determinou medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro do ano passado e resultou em sete prisões, sendo cinco preventivas e duas temporárias. Na ocasião, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após concluir que a instituição não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros.
A Polícia Federal estima que o volume total das fraudes investigadas pode chegar a R$ 12 bilhões. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e dimensionar o alcance do esquema.
Leia a íntegra da nota:
"O Banco Central do Brasil decretou nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (nova denominação de Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.), com sede em São Paulo (SP).
Trata-se de instituição enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN.
O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição."