O novo ministro da Justiça, Wellington César, anunciou nesta quinta-feira (15) que o governo adotará o enfrentamento ao crime organizado como "ação do Estado", estabelecendo-o como objetivo comum na formulação de políticas públicas entre órgãos do Executivo e entidades independentes. A declaração foi feita após uma reunião com o presidente Lula, com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com representantes das pastas econômicas.
"Houve uma decisão do presidente da República, compartilhada por todos esses atores, de elevar ao status de ação do Estado, o combate ao crime organizado. De maneira que a relevância que o crime organizado assumiu nesse momento impõe, na percepção do presidente e de todos esses atores, a necessidade de uma atuação conjunta de todos os órgãos do Estado", disse o ministro.
A decisão foi tomada após o aprofundamento das investigações envolvendo o escândalo do Banco Master. Na última quarta-feira (14), a Polícia Federal realizou a segunda fase da operação Compliance Zero, que mira acionistas do Master e de outros bancos parceiros por fraude financeira. Nesta manhã, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Reag, outra empresa acusada de envolvimento no esquema.
"Eu acho que há uma constatação de que o tamanho do problema justifica e merece uma conjugação de esforços dessa escala", afirmou o ministro. Esta foi sua primeira participação em reunião ministerial enquanto chefe da pasta.
Wellington César ressaltou que a integração com órgãos de Estado, como Banco Central e PGR, é a única forma de dar efetividade ao combate ao crime organizado. "Nós não podemos falar de racionalidade, de articulação, de integração, se nós temos um teto baixo para essas iniciativas. A única forma de viabilizar que essa racionalização, essa integração, essa articulação tenham um longo alcance é envolvendo esses parceiros, parceiros de Estado, que são fundamentalmente comprometidos com esse propósito"