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Movimentos de Michelle e Tarcísio tensionam núcleo bolsonarista

Atuação da ex-primeira-dama no STF e visita de Tarcísio a Bolsonaro reacendem disputa por protagonismo na oposição.

20/1/2026
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O cenário político da direita em Brasília vive dias de intensa movimentação e reorganização de forças. Na última semana, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro protagonizou um episódio que ecoou nos corredores do STF.

Em conversas com os ministros da Corte, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, Michelle teria adotado um tom político moderado e pragmático, voltado para temas institucionais e a saúde do marido, o que, segundo interlocutores, teria surpreendido positivamente ministros que antes mantinham forte resistência ao nome da presidente do PL Mulher.

Reorganização da direita envolve Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e a família do ex-presidente, Jair Bolsonaro. Allison Sales/Folhapress

Essa postura de Michelle, lida por analistas como uma pavimentação para voos maiores, ocorre em meio a uma crescente exposição de uma possível chapa "Michelle e Tarcísio" para 2026. A imprensa vem repercutindo que a ex-primeira-dama já atua em ritmo de campanha, buscando suavizar sua imagem perante o Judiciário e setores do centro. No entanto, o que parece ser um movimento estratégico de expansão da direita acendeu o alerta vermelho no núcleo ideológico da família Bolsonaro.

O ex-vereador Carlos Bolsonaro, estrategista das redes sociais do pai, não escondeu o incômodo. Em publicações recentes, o "02" sugeriu que existe um plano em curso para anular a influência política do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao compartilhar críticas a esse novo arranjo, Carlos utilizou expressões como "enredo cristalino", indicando que vê a ascensão da chapa Michelle-Tarcísio como um movimento que isola os filhos e compromete o "bolsonarismo de raiz" em favor de interesses externos.

Na segunda-feira (19), o clima de desconfiança se intensificou. Enquanto Flávio Bolsonaro tenta publicamente pregar a união do campo conservador, nos bastidores, a disputa pelo controle da narrativa é feroz. A ala comandada por Carlos teme que a "moderação" de Michelle no STF seja, na verdade, um rito de passagem para uma direita que aceita as regras do sistema, deixando para trás o tom combativo que caracteriza a família.

Nesta terça-feira (20), o cenário ganhou um novo desdobramento: o ministro Alexandre de Moraes autorizou o pedido de Jair Bolsonaro, detido na "Papudinha", para receber visitas. Com o aval do STF, o governador Tarcísio de Freitas e o cunhado do ex-presidente, Diego Torres Dourado, irão ao encontro de Bolsonaro nesta quinta-feira (22).

O pedido, entretanto, é interpretado como uma tentativa do ex-presidente de arbitrar pessoalmente as tensões entre sua família e seus principais herdeiros políticos.

Enquanto a visita de Tarcísio pode ser vista como um teste de lealdade e coordenação, o tom adotado por Michelle passou a ser observado com atenção pelo núcleo mais próximo da família Bolsonaro. Diante desse cenário, Flávio Bolsonaro tem buscado preservar a unidade do grupo, avaliando que uma ruptura pública neste momento poderia fragilizar o campo da oposição e favorecer o governo federal.

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