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Ritmo de eleição
Congresso em Foco
20/1/2026 15:58
O cenário político da direita em Brasília vive dias de intensa movimentação e reorganização de forças. Na última semana, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro protagonizou um episódio que ecoou nos corredores do STF.
Em conversas com os ministros da Corte, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, Michelle teria adotado um tom político moderado e pragmático, voltado para temas institucionais e a saúde do marido, o que, segundo interlocutores, teria surpreendido positivamente ministros que antes mantinham forte resistência ao nome da presidente do PL Mulher.
Essa postura de Michelle, lida por analistas como uma pavimentação para voos maiores, ocorre em meio a uma crescente exposição de uma possível chapa "Michelle e Tarcísio" para 2026. A imprensa vem repercutindo que a ex-primeira-dama já atua em ritmo de campanha, buscando suavizar sua imagem perante o Judiciário e setores do centro. No entanto, o que parece ser um movimento estratégico de expansão da direita acendeu o alerta vermelho no núcleo ideológico da família Bolsonaro.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro, estrategista das redes sociais do pai, não escondeu o incômodo. Em publicações recentes, o "02" sugeriu que existe um plano em curso para anular a influência política do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao compartilhar críticas a esse novo arranjo, Carlos utilizou expressões como "enredo cristalino", indicando que vê a ascensão da chapa Michelle-Tarcísio como um movimento que isola os filhos e compromete o "bolsonarismo de raiz" em favor de interesses externos.
Na segunda-feira (19), o clima de desconfiança se intensificou. Enquanto Flávio Bolsonaro tenta publicamente pregar a união do campo conservador, nos bastidores, a disputa pelo controle da narrativa é feroz. A ala comandada por Carlos teme que a "moderação" de Michelle no STF seja, na verdade, um rito de passagem para uma direita que aceita as regras do sistema, deixando para trás o tom combativo que caracteriza a família.
Nesta terça-feira (20), o cenário ganhou um novo desdobramento: o ministro Alexandre de Moraes autorizou o pedido de Jair Bolsonaro, detido na "Papudinha", para receber visitas. Com o aval do STF, o governador Tarcísio de Freitas e o cunhado do ex-presidente, Diego Torres Dourado, irão ao encontro de Bolsonaro nesta quinta-feira (22).
O pedido, entretanto, é interpretado como uma tentativa do ex-presidente de arbitrar pessoalmente as tensões entre sua família e seus principais herdeiros políticos.
Enquanto a visita de Tarcísio pode ser vista como um teste de lealdade e coordenação, o tom adotado por Michelle passou a ser observado com atenção pelo núcleo mais próximo da família Bolsonaro. Diante desse cenário, Flávio Bolsonaro tem buscado preservar a unidade do grupo, avaliando que uma ruptura pública neste momento poderia fragilizar o campo da oposição e favorecer o governo federal.
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