O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, afirmou que a violência sofrida pelo cachorro Orelha "não se trata apenas de um ato isolado". O animal foi agredido por um grupo de adolescentes em Praia Brava, no norte de Florianópolis (SC). Devido à gravidade dos ferimentos, os veterinários o submeteram à eutanásia.
Em vídeo publicado na noite da segunda-feira (26), Jorginho Mello disse que, desde que foi notificado do caso na sexta-feira (16), determinou que Polícia Civil do Estado apurasse a agressão.
Segundo o governador, as investigações realizadas até o momento levam a crer que o episódio vai além da violência, porque foram identificados indícios de coação, ameaça e porte ilegal de arma.
A Polícia Civil identificou pelo menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento no episódio. O governador criticou que os responsáveis, por serem adolescentes, responderão como menores de idade e chamou as punições de brandas.
"Um jovem de 15, 16 ou 17 anos realmente não sabe o que está fazendo? O que alguém capaz de matar um animal indefeso pode se tornar no futuro? Que tipo de sociedade estamos formando? Não importa quem sejam ou os sobrenomes que carregam. A lei será cumprida. Infelizmente ainda muito branda, mas será cumprida."
Agressão
Orelha, também chamado de Preto, era um cachorro comunitário, adotado há quase uma década por moradores da Praia Brava. Em 15 de janeiro, o animal foi encontrado gravemente ferido por residentes da região depois de dias desaparecido.
A suspeita é de que os adolescentes tenham utilizado pedaços de madeira para agredir o cachorro. No dia seguinte ao que Orelha foi encontrado, a Polícia Civil abriu inquérito na Delegacia de Proteção Animal.
Segundo a apuração, antes do ataque o mesmo grupo teria tentado afogar outro cachorro comunitário no mar. O animal sobreviveu e foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
Na segunda-feira (26), foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas de investigados. A operação também buscou a apreensão de uma arma na casa de um adulto que teria ameaçado uma testemunha do episódio, mas o objeto não foi encontrado.
A polícia investiga o envolvimento de três adultos por coação no processo.