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Wagner nega elo com "falcatruas" do Master: "Se ele delatar, acho ótimo"

Líder do governo no Senado admite proximidade com ex-sócio do banco e diz ver com bons olhos eventual delação. Ele contesta informação de que indicou Mantega e Lewandowski a Vorcaro.

28/1/2026
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O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), negou qualquer envolvimento com irregularidades investigadas no Banco Master e afirmou estar "tranquilo" em relação às apurações que atingem a instituição financeira. Em entrevista ao programa Giro Baiana, da BNews, nesta terça-feira (27), o senador disse que foi citado no caso apenas por ter conduzido, quando secretário estadual, a venda da antiga rede estatal de supermercados Cesta do Povo, na Bahia.

"Estou tranquilo com essas coisas", afirmou Wagner, ao rebater suspeitas de relação com o que chamou de "trambicagens" e "falcatruas" do banco. Segundo ele, o negócio feito com o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, o "Guga Lima", então interessado na compra da estatal, não teve qualquer irregularidade e foi positivo para os cofres públicos. "Foi ótimo negócio vender. Aquilo me dava um prejuízo de R$ 60 milhões", disse.

Questionado se acredita no envolvimento de outros políticos no caso, o senador respondeu: "Ah, deve ter, para cacete. Muitos. Tem muita gente debaixo da cama". E completou: "Se ele delatar, acho ótimo". Wagner enfatizou que não teme as investigações. "Conhecia. E daí?"

Assista a trecho da entrevista:

Cesta do Povo

A relação entre Wagner e Augusto Lima começou entre 2017 e 2018, quando o petista chefiava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, no governo Rui Costa (PT), hoje ministro da Casa Civil. À época, a pasta era responsável pelo processo de venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que controlava a Cesta do Povo, uma rede de supermercados estatais deficitária.

Augusto Lima venceu a licitação e assumiu o ativo, que incluía o Cartão Cesta — depois rebatizado como CredCesta, um cartão de crédito consignado com juros mais baixos, voltado principalmente a servidores públicos. O modelo se expandiu para outros estados e, em 2020, Lima ingressou na sociedade do Banco Master, então chamado Banco Máxima, levando o CredCesta como um de seus principais ativos.

Na entrevista, Wagner afirmou que Lima sequer era banqueiro à época da negociação. "Era um cabra que vendia consignado no sindicato", disse. Segundo o senador, o empresário inicialmente não tinha recursos para bancar a operação e buscou investidores, primeiro estrangeiros e, depois, Daniel Vorcaro, controlador do banco que mais tarde passaria a se chamar Master.

Wagner negou que tenha qualquer relação com as operações financeiras hoje investigadas pela Polícia Federal e destacou que não há recursos do governo da Bahia aplicados no banco. "Pergunta se tem algum dinheiro do governo da Bahia aplicado no Banco Master… Não tem uma banda de conto nossa", afirmou.

Mantega e Lewandowski

O senador também rejeitou ter indicado nomes para cargos no banco, como os ex-ministros Guido Mantega e Ricardo Lewandowski. "Mentira. Não indiquei", disse, ao comentar informações divulgadas na imprensa. Sobre Lewandowski, afirmou apenas ter mencionado que o jurista havia se aposentado e poderia ter interesse. "Não é que foi indicação minha", reforçou.

Acompanhe a declaração de Jaques Wagner:

As investigações apontam que o Banco Master negociou bilhões de reais em carteiras de crédito consignado com lastro questionado, envolvendo associações de servidores e operações financeiras complexas. Augusto Lima deixou a sociedade do banco em maio de 2024 e assumiu o controle do antigo Voiter, hoje rebatizado como Banco Pleno, responsável pela administração do CredCesta.

Preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, Lima é investigado por fraudes envolvendo carteiras de crédito e outras irregularidades no conglomerado financeiro ligado a Daniel Vorcaro. Nesta terça-feira (27), a PF adiou os depoimentos de Lima e de outros investigados no inquérito que tramita no STF, após as defesas alegarem não ter tido acesso aos autos.

Apesar de admitir proximidade pessoal com o empresário — incluindo presença em aniversários e no casamento — Wagner afirmou que não mantém negócios com ele. "Pelo fato de eu ter estabelecido relação com ele, não tenho nenhum negócio com ele. Estou tranquilo e calmo com esse episódio", disse.

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