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Vorcaro atribui crise do Master à falta de liquidez e veto do BC

Banqueiro diz que negociação com o BRB poderia ter evitado a quebra da instituição. Segundo ele, Master honrou resgates até a intervenção do Banco Central.

30/1/2026
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O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atribuiu a crise que levou à liquidação da instituição a uma combinação de problemas de liquidez, aumento de resgates e decisões regulatórias que, segundo ele, inviabilizaram a continuidade do banco. As declarações foram dadas em depoimento à Polícia Federal, prestado em 30 de dezembro de 2025, no âmbito do inquérito que apura irregularidades envolvendo o Master, a Tirreno Consultoria e operações com o Banco de Brasília (BRB).

Segundo Vorcaro, até poucas semanas antes da intervenção do Banco Central, o Master vinha honrando seus compromissos. Ele afirmou que, apesar da pressão crescente sobre o caixa, nenhum pedido de resgate teria deixado de ser atendido até meados de novembro. "Até o dia 17 não existiu um cliente que pediu o resgate e que não tenha sido honrado", declarou.

Vorcaro reconheceu, no entanto, que o banco enfrentava uma situação crítica de liquidez, comum — segundo ele — a instituições financeiras em momentos de estresse. Vorcaro argumentou que bancos não mantêm em caixa recursos equivalentes a todos os depósitos e que isso faz parte do funcionamento do sistema financeiro. "Nenhum banco tem disponível a liquidez de todas as contas", disse.

Tentativa de evitar a quebra

Vorcaro afirmou à PF que tentou evitar o colapso do Master por meio de aportes pessoais e cessão de ativos próprios ao banco. Segundo ele, nos meses finais da crise, recursos de seu patrimônio foram usados para reforçar o caixa da instituição.

"Nos últimos seis meses, eu fiz cessão de ativos pessoais e integralizei esse recurso no banco", declarou, negando que tenha se beneficiado financeiramente da operação ou desviado recursos.

O banqueiro também rejeitou a ideia de que a crise tenha sido provocada por fraude deliberada. Para ele, o problema se agravou após a negativa do Banco Central à operação com o BRB, que poderia ter garantido uma solução estrutural para o banco.

Impacto da negativa do BRB

No depoimento, Vorcaro sustentou que a negociação com o BRB foi estruturada como uma alternativa para equilibrar a situação financeira do Master, com acompanhamento técnico do regulador. A rejeição da operação, segundo ele, acelerou o colapso.

"O negócio com o BRB foi construído tecnicamente dentro do Banco Central", afirmou. Para Vorcaro, a frustração da negociação teve efeitos sistêmicos. "Não era para a gente estar aqui nessa sala e com essa exposição toda para o país, porque o prejuízo, no final, não foi só meu, foi do sistema financeiro", disse.

Pouco depois da negativa, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, alegando incapacidade da instituição de honrar suas obrigações.

Liquidez, resgates e intervenção

Vorcaro não negou a gravidade da situação enfrentada pelo banco no momento da intervenção, mas afirmou que a crise foi administrada até o limite possível. Segundo ele, o Master continuava operando e buscando soluções quando foi atingido pelas medidas mais duras do regulador.

Ele também afirmou que a liquidação ocorreu sem que houvesse uma chance efetiva de recuperação. "Se tivesse havido apoio político, eu não estaria aqui de tornozeleira", disse em outro momento do depoimento, ao rebater suspeitas de interferência externa para evitar a quebra.

A Polícia Federal investiga se a crise do Master foi agravada por emissão de créditos sem lastro, especialmente por meio da Tirreno Consultoria, e se houve tentativa de transferência desse risco ao BRB. Vorcaro, no entanto, negou ter conhecimento de irregularidades e afirmou que acreditava na regularidade das operações até o surgimento dos questionamentos.

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