A decisão do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), de apoiar a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) para o Senado redesenhou o tabuleiro eleitoral no estado e isolou o senador Esperidião Amin (PP), que tenta a reeleição. Ao defender publicamente uma chapa "pura" do PL, com Caroline e Carlos Bolsonaro (PL), Jorginho confronta um acordo nacional costurado entre o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e o comando do PP, que previa apoio à candidatura de Amin.
A sinalização foi feita nesta terça-feira (3), em Brasília, durante evento da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM), presidida por Caroline de Toni. No palco, Jorginho tratou a deputada como "senadora" e afirmou que ela será candidata "com o meu apoio", deixando claro que sua preferência é por duas vagas do Senado ocupadas exclusivamente por nomes do PL em Santa Catarina.
A deputada e o governador devem se reunir com Valdemar nesta quarta-feira (4) para tentar destravar a situação.
Isolamento de Esperidião Amin
Caso o desenho defendido pelo governador se confirme, Esperidião Amin fica fora da chapa, apesar de ser senador e contar com o respaldo de parte do Centrão catarinense. Amin é hoje o principal nome do PP no estado e tem sua reeleição incluída em um acordo nacional entre Valdemar e o presidente do partido, Ciro Nogueira (PI).
Esse acordo, porém, passa a ser pressionado pela posição de Jorginho, que controla o PL estadual e governa um dos principais colégios eleitorais do Sul do país. Na prática, o governador sinaliza que não pretende ceder espaço ao PP, mesmo diante do pacto firmado pela cúpula nacional.
O apoio de Jorginho a Caroline de Toni deve empurrar o PP e o União Brasil para a oposição. Os dois partidos, que atuam como federação, negociam o apoio à candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), ao governo do estado.
Deputada ameaça deixar o PL
A reação de Caroline de Toni evidencia a gravidade do impasse. Ela afirmou que pode deixar o PL caso não tenha o apoio formal da legenda para disputar o Senado. Segundo a deputada, Valdemar já teria informado que não há vaga disponível para Santa Catarina em razão do acordo com o PP.
"Tem uns seis partidos que me ofereceram vaga. Avante, Podemos, PRD, Novo, MDB e PSD", disse Caroline, indicando que a disputa pode evoluir para uma desfiliação caso o partido mantenha a negativa.
Carlos Bolsonaro e o embate com o Centrão
O apoio de Jorginho à deputada ocorre em um contexto de divisão entre o PL e o Centrão em Santa Catarina, iniciado ainda em 2025, quando o governador declarou apoio à pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado pelo estado. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro transferiu seu domicílio eleitoral para Santa Catarina em outubro do ano passado, movimento que acirrou as disputas internas. Ele renunciou ao mandato de vereador no Rio e se mudou para o estado.
Até então, os nomes colocados para o Senado eram Caroline de Toni e Esperidião Amin. Com a entrada de Carlos e a defesa de uma chapa puro-sangue do PL, o senador do PP passou a ser o principal prejudicado.
Atualmente, Santa Catarina já tem uma cadeira no Senado ocupada por um nome do PL: Jorge Seif (PL-SC), eleito em 2022 e com mandato até 2030. Se a estratégia de Jorginho avançar, o partido pode sair da eleição com duas das três vagas do estado, consolidando hegemonia no campo da direita catarinense.