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PSDB acusa Kassab de "canibalismo" após PSD desidratar tucanos em SP

PSD vai filiar seis dos oito deputados estaduais do PSDB em São Paulo. Debandada aprofunda crise dos tucanos em seu último bastião político.

6/2/2026
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O presidente do PSDB em São Paulo, Paulo Serra, reagiu com dureza à ofensiva do PSD, comandado por Gilberto Kassab, para filiar deputados estaduais tucanos e classificou a estratégia como um movimento de "canibalismo" dentro da própria base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A crítica ocorreu após um café da manhã realizado na quinta-feira (5), no qual Kassab selou a filiação de seis deputados do PSDB e um do Cidadania ao PSD, a partir de 4 de março, durante a janela partidária. O partido ficará com apenas dois deputados estaduais no maior colégio eleitoral do país.

Com a debandada, a federação PSDB-Cidadania deixará de figurar entre as maiores bancadas da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), encerrando um ciclo de décadas de protagonismo tucano no Legislativo paulista. O PSD, por sua vez, quase triplicará sua representação na Casa, consolidando-se como uma das principais forças da base governista estadual.

Kassab anunciou a filiação de deputados estaduais do PSDB e do Cidadania em São Paulo.Divulgação

Em nota (veja a íntegra mais abaixo), Paulo Serra afirmou que respeita Kassab como dirigente partidário, mas criticou a forma como a articulação foi conduzida.

"Lamento profundamente a forma desrespeitosa de cooptação de quadros. Ressalto que continuo respeitando muito o presidente da Executiva Nacional do PSD e reconheço nele um grande dirigente partidário. No entanto, este tipo de 'canibalismo dentro da base do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, em nada ajuda na construção de um projeto nacional de centro", declarou.

Segundo Serra, o PSDB vive um momento de reorganização que exige mudanças internas e renovação política. O dirigente também buscou diferenciar os projetos das duas siglas ao lembrar que o PSD integra a base do governo Lula no plano federal.

"Importante destacar que o PSD é da base do PT no governo federal e contribui com um modelo de governo que não funciona mais. Isto, certamente, poderá ser explorado na campanha eleitoral daqueles que escolhem o caminho temporariamente mais fácil", completou.

Com a filiação de seis novos deputados, o PSD passa a ter 11 representantes na Alesp, o que dá ao partido a terceira maior bancada na Casa, atrás apenas do PL e da federação PT-PV-PCdoB.

Avanço do PSD e ambição nacional

A investida sobre o PSDB paulista ocorre em paralelo a uma estratégia mais ampla de expansão nacional do PSD. Nos últimos meses, Kassab filiou dois governadores de peso: Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Além deles, o partido abriga o governador do Paraná, Ratinho Junior, formando um trio de pré-candidatos à Presidência da República em 2026.

O movimento sinaliza a tentativa de consolidar o PSD como um polo autônomo de centro, com musculatura para disputar protagonismo nacional e ampliar seu poder de barganha tanto com a direita quanto com a esquerda. Em São Paulo, esse fortalecimento passa diretamente pela ampliação das bancadas e pela proximidade com Tarcísio, cuja reeleição Kassab já declarou apoiar.

PSDB encolhe em seu principal reduto

A crise tucana, escancarada pela saída de deputados estaduais, é mais um capítulo do processo de encolhimento do PSDB nos últimos anos. Fundado em 1988 por lideranças majoritariamente paulistas, como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Franco Montoro e José Serra, o partido fez de São Paulo seu principal bastião político.

Entre 1994 e 2018, os tucanos elegeram sete governadores consecutivos no estado. A hegemonia foi quebrada em 2022, com a vitória de Tarcísio de Freitas, após uma crise interna agravada por disputas envolvendo João Doria e outras lideranças históricas.

Desde então, a legenda perdeu capilaridade. Em 2022, abriu mão de uma candidatura própria à Presidência pela primeira vez. Em 2024, não elegeu prefeitos em nenhuma capital brasileira, não obteve representação na Câmara Municipal de São Paulo e viu seu número de prefeituras despencar.

O contraste com o PSD é evidente. Em 2024, o partido de Kassab se tornou a legenda com maior número de prefeitos eleitos em São Paulo, conquistando 206 das 645 cidades do estado. O PSDB, que em 2020 liderava esse ranking com 173 prefeitos, caiu para a oitava colocação, elegendo apenas 21 prefeitos — uma perda de 152 administrações municipais em quatro anos.

A Alesp era um dos últimos redutos de peso do PSDB. Com a debandada articulada por Kassab, esse bastião também começa a ruir, aprofundando a disputa pelo espaço político do centro em São Paulo e acelerando o redesenho das forças partidárias rumo a 2026.

Veja a íntegra da nota de Paulo Serra:

"Lamento profundamente a forma desrespeitosa de cooptação de quadros. Ressalto que continuo respeitando muito o presidente da Executiva Nacional do PSD e reconheço nele um grande dirigente partidário. No entanto, este tipo de 'canibalismo' dentro da base do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), ao meu ver, em nada ajuda na construção de um projeto nacional de Centro.

O PSDB está passando por um processo de transformação e isso exige mudança de atitude.

Da mesma forma que tem gente saindo, tem grandes quadros ingressando nas fileiras do partido, e com sangue novo, representatividade e vontade de reconstruir um projeto de gestão que já provou que dá certo!

Importante destacar que o PSD é da base do PT no governo federal e contribui com um modelo de governo que não funciona mais. Isto, certamente, poderá ser explorado na campanha eleitoral daqueles que escolhem o caminho temporariamente mais fácil."

PAULO SERRA

Presidente da Executiva Estadual do PSDB de São Paulo e Vice-Presidente Nacional do PSDB"

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