A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado deu um passo decisivo nesta terça-feira (10) para aprofundar as investigações sobre o escândalo do Banco Master ao aprovar uma série de requerimentos de convites e pedidos formais de informações. O objetivo é esclarecer as fraudes atribuídas à instituição financeira e apurar eventuais falhas de fiscalização, além de responsabilidades administrativas e criminais.
Entre os convites aprovados para oitivas, estão autoridades dos principais órgãos de controle e regulação do país. A comissão pretende ouvir o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; e o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo. Também foram convidados Ailton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do Banco Central; Paulo Sérgio Neves Souza, ex-diretor jurídico do BC; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB); e Jaques Henrique de Melo, ex-diretor do BRB.
Veja a lista dos requerimentos aprovados.
Os senadores aprovaram ainda as oitivas de Daniel Vorcaro e Augusto Lima, sócios do Banco Master e apontados como personagens centrais no esquema investigado. A expectativa é que os depoimentos ajudem a esclarecer a estrutura de funcionamento do banco e as operações que levantaram suspeitas de irregularidades.
Além dos convites, a CAE deu aval a requerimentos de pedidos de informações ao Banco Central, Polícia Federal, Ministério da Fazenda, CVM, Tribunal de Contas da União e ao BRB. Os parlamentares querem acesso a dados técnicos, relatórios de fiscalização, informações administrativas e detalhes das investigações em andamento.
No caso do Banco Central, o foco é compreender os critérios que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em 18 de novembro de 2025. Já em relação à Polícia Federal, os senadores buscam esclarecimentos sobre o estágio das apurações criminais, especialmente sobre suspeitas de fraudes bancárias e a venda de carteiras de crédito ao BRB.
Outro requerimento aprovado solicita informações ao Ministério da Fazenda, ao qual a CVM é vinculada, sobre o Conglomerado Master e as instituições que o compõem. A comissão também decidiu ampliar o alcance da investigação ao requisitar dados ao TCU, com o objetivo de apurar possíveis falhas de fiscalização e responsabilidades administrativas relacionadas ao caso.
A subcomissão aprovou ainda a realização de audiências públicas com professores universitários e especialistas, para discutir aspectos técnicos do sistema financeiro, mecanismos de controle e formas de prevenir fraudes semelhantes.
Rede de proteção
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que preside a subcomissão e a CAE, chamou o escândalo de "espetáculo de horrores" e disse que o colegiado pretende tirar a "rede de proteção" dos investigados.
"A fraude bilionária do Banco Master alarma o país e funcionou por anos como um verdadeiro globo da morte para o mercado. É um ilusionismo daqueles lenços de mágico, em que um escândalo vai puxando outro, cada vez maior, cada vez mais estarrecedor e, aparentemente, sem fim", afirmou. "Esta comissão não acobertará esse espetáculo que deixou milhões de brasileiros na lona. No que depender da CAE, vamos retirar a rede de proteção desses trapezistas das finanças e de seus treinadores ocultos."
Acesso a informações
Ainda não há um calendário definido para as oitivas, mas a expectativa é que as participações ocorram de forma escalonada ao longo da segunda quinzena de fevereiro. Para esta quarta-feira (11), já estão previstas reuniões da subcomissão com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o presidente do Supremo, Edson Fachin.
Os encontros têm como objetivo destravar o acesso a investigações que correm sob sigilo. Às 17h, os senadores se reúnem com Andrei Rodrigues, na sede da PF, para solicitar o compartilhamento de inquéritos já instaurados. Em seguida, às 18h30, participam de reunião institucional com Fachin.
Segundo Renan Calheiros, a comissão pretende requisitar informações, inclusive de caráter sigiloso, para compreender como o banco operava antes da liquidação e avaliar os impactos do caso sobre o sistema financeiro. No Senado, a avaliação é de que o episódio exige acompanhamento rigoroso e coordenação entre diferentes órgãos para o esclarecimento das responsabilidades e a prevenção de novos escândalos no setor.