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FRAUDE BILIONÁRIA
Congresso em Foco
9/2/2026 | Atualizado às 9:15
Integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado intensificam nesta semana a ofensiva institucional para obter informações sobre o caso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro. O presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), terá reuniões com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o presidente do STF, Edson Fachin, para tentar destravar o acesso a investigações que correm sob sigilo.
Os encontros estão previstos para esta quarta-feira. Às 17h, Renan se reúne com Andrei, na sede da PF, para solicitar o compartilhamento de inquéritos já instaurados. Em seguida, às 18h30, participa de uma reunião institucional com Fachin, com a presença da subcomissão criada semana passada na CAE para apurar suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira.
A iniciativa ocorre após parlamentares esbarrarem em restrições para acessar documentos do Banco Central e informações protegidas por decisão judicial. O diálogo com o Supremo é visto pelos senadores como essencial para superar esse impasse.
Sigilo trava acesso a documentos
Na semana passada, integrantes da CAE se reuniram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo. Após o encontro, Renan afirmou ter solicitado ao BC toda a documentação relacionada ao Banco Master, inclusive a protegida por sigilo, e não descartou pedir ao Plenário do Senado a quebra formal desses dados.
Segundo relatos feitos à comissão, Galípolo explicou que o compartilhamento de parte dos documentos depende de autorização do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, que impôs sigilo rigoroso às investigações. A expectativa dos senadores é que a interlocução direta com a presidência da Corte ajude a viabilizar o acesso às informações.
Pedido de colaboração à PF
Na Polícia Federal, a CAE deve buscar dados sobre inquéritos em andamento que apuram o uso do sistema financeiro pelo crime organizado. Parlamentares citam pelo menos cinco investigações, como as operações Colossus, Carbono Oculto e Compliance Zero, que identificaram indícios de emissão de títulos sem lastro, gestão fraudulenta e movimentações financeiras atípicas ligadas ao banco.
Antes do encontro com Galípolo, Renan havia cobrado publicamente colaboração do Banco Central e afirmado que a comissão só conseguirá aprofundar a investigação se tiver acesso às informações necessárias.
Questionamentos a Lula e próximos passos
Renan também anunciou que pretende encaminhar questionamentos por escrito ao presidente Lula sobre reuniões fora da agenda oficial com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O senador afirma que não há acusação direta contra o presidente, mas defende esclarecimentos para evitar especulações.
O plano de trabalho da subcomissão inclui audiências públicas sobre a liquidação do banco, a atuação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além da identificação de falhas de supervisão e gargalos regulatórios. Ao final, o grupo deve apresentar um relatório com recomendações e possíveis propostas legislativas.
Segundo Renan, os trabalhos são complementares às investigações criminais em curso e não substituem uma eventual CPI. Senadores já mencionam a possibilidade de ouvir Daniel Vorcaro e ex-dirigentes do Banco Central nos próximos meses.
Além de Renan, integram a subcomissão que investiga o Banco Master os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin (PP-SC), Fernando Farias (MDB-AL), Leila Barros (PDT-DF) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).
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