O pastor Elias Cardoso, da Assembleia de Deus de Perus, em São Paulo, criticou na segunda-feira (16) o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante um culto, o líder religioso afirmou que iria orar pelos carnavalescos e declarou que eles "vão lembrar" do episódio "quando estiverem com câncer na garganta".
Cardoso disse que não pretende responder à "provocação" da escola, que, segundo ele, teria "imitado" cultos evangélicos e "tripudiado" sobre a fé cristã.
"Não vamos responder. Vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram".
O pastor também declarou que pede a intervenção divina contra "todos os que imitaram a fé da igreja e tripudiaram em cima de nós, em cima de todas as igrejas do Brasil, mais de 30 milhões de brasileiros".
Apesar das críticas ao desfile, Cardoso afirmou que não pretende recorrer à Justiça contra a apresentação, dizendo que a questão será resolvida pelo que chamou de "juiz do Supremo Tribunal Celestial".
"Vamos orar. A melhor representação não é no STF, não é na Justiça, não é no Ministério Público Federal. É lá em cima, direto no trono. Deus vai responder".
"Família em conserva"
Um dos trechos do desfile de domingo (15) que mais provocou reações de evangélicos e políticos conservadores foi a ala "neoconservadores em conserva". Nela, dançarinos apareceram vestidos como latas de alimentos, com rótulos que traziam a expressão "família tradicional" e imagens de famílias formadas por pai, mãe e filhos. Os integrantes também usavam máscaras representando grupos associados ao conservadorismo, como fazendeiros e pastores evangélicos.
A apresentação gerou repercussão nas redes sociais. Alguns políticos reagiram publicando imagens produzidas por inteligência artificial que simulavam latas de conserva com fotos de suas próprias famílias nos rótulos.