O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025 e atingiu R$ 12,7 trilhões, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE. O crescimento foi puxado pela agropecuária, que avançou 11,7% e somou R$ 775,3 bilhões — cerca de 6,1% de toda a riqueza produzida no país. Foi o setor que garantiu tração à economia.
O salto do campo decorreu principalmente do aumento da produção e da produtividade agrícola. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), o milho cresceu 23,6% e a soja, 14,6%, ambos com recordes na série histórica. A pecuária também contribuiu para o desempenho. No quarto trimestre, a agropecuária avançou 12,1% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionada por produtos com safra concentrada no fim do ano, como fumo (29,8%), laranja (28,4%) e trigo (3,7%).
De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, agropecuária, indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços responderam por 72% do crescimento do Valor Adicionado em 2025, evidenciando a concentração da expansão em poucos segmentos.
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Indústria e serviços
A indústria cresceu 1,4% no ano. O principal destaque foi a indústria extrativa (8,6%), puxada pela maior produção de petróleo e gás. A construção avançou 0,5%, enquanto as indústrias de transformação recuaram 0,2%, pressionadas pela queda na fabricação de derivados de petróleo, produtos de metal e bebidas. Já o segmento de eletricidade e gás, água e esgoto teve retração de 0,4%, influenciado por condições tarifárias menos favoráveis que em 2024.
Os serviços, que representam a maior fatia do PIB, cresceram 1,8%. Todas as atividades do setor registraram expansão, com destaque para informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras (2,9%) e transporte (2,1%). Pela ótica da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) subiu 2,9%, impulsionada pela importação de bens de capital, desenvolvimento de software e construção. O consumo das famílias cresceu 1,3% — ritmo inferior ao de 2024 (5,1%) — refletindo os impactos da política monetária contracionista, apesar do mercado de trabalho aquecido, da expansão do crédito e dos programas de transferência de renda. O consumo do governo avançou 2,1%.
No quarto trimestre, o PIB ficou praticamente estável frente ao terceiro, com variação positiva de 0,1% na série com ajuste sazonal. Serviços (0,8%) e agropecuária (0,5%) cresceram, enquanto a indústria recuou 0,7%. Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, a economia avançou 1,8%, mantendo a sequência de resultados positivos nessa base.
O PIB per capita alcançou R$ 59.687,49, com alta real de 1,9% em relação ao ano anterior. A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, ligeiramente abaixo dos 16,9% de 2024, enquanto a taxa de poupança subiu para 14,4%. No setor externo, as exportações cresceram 6,2%, com destaque para agropecuária e petróleo, e as importações avançaram 4,5%.
O retrato de 2025 revela uma economia que cresceu apoiada em bases específicas, sobretudo o agronegócio e a extração mineral, enquanto consumo e indústria mostraram desempenho mais contido.