A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (3) um projeto de lei que visa reconhecer a poesia do Pajeú como importante manifestação da cultura nacional (4.254/2025). Agora pendente de análise no Senado, o texto é de autoria do deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE) e recebeu parecer favorável do deputado Carlos Veras (PT-PE).
Na avaliação do autor, "este é o reconhecimento que nosso país deve àquele povo, para emancipar as crianças, levar a cultura para as escolas e construir um acervo da cultura do Pajeú. As poesias formam crítica social e consciências esclarecidas". O Sertão do Pajeú, região localizada em Pernambuco, que compreende 17 municípios no Estado, é o berço dessa expressão artística.
A poesia do Pajeú se manifesta por meio de uma teia cultural e comunicativa, enraizada na tradição oral, com destaque para municípios como São José do Egito. Suas características marcantes incluem o repentismo, as glosas e uma métrica rigorosa, com a qual costuma abordar temas como a resistência, o cotidiano do sertanejo e a seca, com lirismo e improvisação.
Gadelha defendeu a importância da pluralidade cultural. "No Pajeú, a cultura é efervescente. Se você for na padaria e pedir um poema, ele manda um poema", disse.
Durante a deliberação, o relator afirmou que o projeto iguala o Pajeú a outras manifestações culturais que integram o Brasil.
"O reconhecimento da poesia do Pajeú como manifestação da cultura nacional corrige uma lacuna histórica e institucional, elevando ao patamar das grandes artes brasileiras uma tradição que, há gerações, sustenta o imaginário do sertanejo."
Veras complementou que, na região, "ser poeta é um título de nobreza civil". Na avaliação do relator, a poesia "eleva a autoestima do sertanejo, permitindo que cada pessoa se veja como um protagonista criativo e intelectual".
"Crianças aprendem a contar sílabas poéticas e, por meio delas, perfazem ludicamente o caminho de acesso à língua portuguesa. O rigor gramatical e a riqueza vocabular presentes nos versos de poetas de bancada ou de repentistas são ferramentas pedagógicas vivas."
Na discussão, a relevância do projeto foi apontada por outros parlamentares como Helder Salomão (PT-ES), Heloísa Helena (Rede-RJ), Pedro Campos (PSB-PE), Erika Kokay (PT-DF), Célia Xakriabá (Psol-MG) e Chico Alencar (Psol-RJ). Muitos recitaram poesias em defesa da proposta.