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Vorcaro teria falado em "moer" empregada doméstica após ameaça

Mensagens citadas na decisão do ministro André Mendonça indicam que banqueiro pediu levantamento de dados e monitoramento de funcionários.

4/3/2026
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Mensagens interceptadas pela Polícia Federal e citadas em decisão do ministro André Mendonça, do STF, indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro teria ordenado intimidações contra funcionários.

Em uma das conversas, Vorcaro afirma:

"Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda."

A mensagem foi enviada a Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, apontado nas investigações como responsável por coordenar "A Turma", núcleo de vigilância e intimidação da organização investigada.

Ao ser questionado sobre o que deveria ser feito, Vorcaro responde:

"Puxa endereço, tudo."

O banqueiro ordenou intimidar funcionários e similar assalto a jornalista.Reprodução

Outras trocas de mensagens mostram que Mourão teria colocado o grupo à disposição para monitorar outro funcionário que também teria feito ameaças. Além do compartilhamento de documentos pessoais, Vorcaro determina que se "levante tudo dos dois", referindo-se ao empregado e a um chefe de cozinha a ele associado.

"O bom é dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar", escreveu.

Segundo as investigações, Mourão também teria monitorado um ex-funcionário do banqueiro.

Vorcaro foi preso preventivamente nesta quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da operação Compliance Zero, após decisão de André Mendonça. A ação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Esta é a segunda prisão dele no âmbito da investigação. Em novembro, ele permaneceu 11 dias detido.

Ataque a jornalista

As mensagens também indicam que Vorcaro teria encomendado um ataque contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. De acordo com a decisão, o objetivo seria simular um assalto com agressões físicas para intimidar por reportagens consideradas prejudiciais aos seus interesses.

No diálogo, Mourão menciona o nome do jornalista, que publicou reportagens envolvendo o banqueiro, e ambos passam a discutir sua rotina e a possibilidade de monitoramento. Em determinado trecho, Vorcaro afirma:

"Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto".

Para a Polícia Federal, a mensagem indica a intenção de forjar um assalto para encobrir a agressão e mascarar a real motivação do ataque.

Confira a íntegra da decisão.

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