Em conversa com jornalistas nesta segunda-feira (9), o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que presente retomar os esforços para convocar o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. O congressista avalia que, com a prisão do banqueiro e sua transferência à Penitenciária Federal de Brasília, ficam superados obstáculos para a realização de seu depoimento junto ao colegiado.
"Estando em Brasília preso, facilita muito, porque aí não tem mais polêmica de jatinho, de advogado, não tem mais problema de avião da Polícia Federal à custa do dinheiro público. Ele já está aqui. É só uma questão de nós conseguirmos, junto ao ministro André Mendonça, a autorização para que ele venha; e virá como uma pessoa comum: não terá nenhum tipo de privilégio quando comparecer à CPMI", declarou.
Confira sua fala:
O depoimento de Vorcaro estava originalmente previsto para acontecer na segunda quinzena de fevereiro, após um acordo firmado voluntariamente pela sua defesa. O banqueiro deveria responder sobre denúncias de envolvimento do Master na fraude no INSS, com supostos cadastros de contratos falsos de crédito consignado de aposentados e pensionistas.
O banqueiro pretendia se deslocar até Brasília em avião particular, pedido negado pelo ministro André Mendonça, do STF. O magistrado autorizou apenas que seu transporte fosse em aeronave da Polícia Federal ou voo comercial, levando Vorcaro a voltar atrás em relação ao acordo.
Daniel Vorcaro foi preso na quarta-feira (4), e transferido na sexta (6) à unidade de segurança máxima, em Brasília. Com a custódia na Capital, Carlos Viana vê condições de nova empreitada da comissão contra o banqueiro. "O que eu pretendo é que o STF nos dê o direito de trazê-lo como determina a Constituição e as leis que regem a CPMI, que ele venha a CPMI como uma pessoa que tem muito a esclarecer a esse país".
Prisão de Vorcaro
Daniel Vorcaro foi preso na última quarta-feira (4) na nova etapa da Operação Compliance Zero. Também foram detidos o seu cunhado, Fabiano Zettel, e seu assistente, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", que tentou suicídio em seguida.
No primeiro momento após a prisão, Vorcaro e Zettel foram levados para a Superintendência da Polícia Federal (PF) em São Paulo, onde ficaram detidos até o início da tarde, quando foram transferidos ao presídio estadual. Nesta sexta, Daniel Vorcaro foi enviado à unidade de segurança máxima em Brasília.
A transferência à penitenciária federal veio por decisão do ministro André Mendonça, do STF, a pedido da Polícia Federal. Segundo a PF, Vorcaro possui capacidade de mobilizar redes de influência que poderiam interferir na apuração das suspeitas envolvendo o Banco Master.
Além do risco de interferência na investigação, os investigadores também apontaram que a transferência para o sistema penitenciário federal ajuda a garantir a integridade física do próprio preso.
Na decisão, o ministro determinou que a Polícia Federal adote imediatamente as providências necessárias para viabilizar a transferência e que as direções dos presídios envolvidos adotem todas as medidas de segurança durante o deslocamento.
Operação Compliance Zero
As prisões de Vorcaro e de Zettel foram cumpridas como parte da terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, a nova fase da operação apura a possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos no âmbito da organização criminosa.
De acordo com as investigações, as práticas ligadas ao Banco Master teriam provocado um déficit de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir investidores e correntistas em casos de quebra de instituições financeiras.
Não é a primeira vez que o banqueiro é alvo da operação. Em novembro, Vorcaro chegou a ser preso pela PF, mas obteve o direito de responder em liberdade, mediante o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
A nova prisão foi fundamentada em elementos colhidos na própria investigação. Mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, teriam indicado que o empresário determinou a um interlocutor que prestava serviços ao banqueiro que agredisse o colunista Lauro Jardim e ameaçou "moer" uma empregada.