A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE), alvo da Operação Indébito da Polícia Federal sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, negou ter praticado "qualquer ato ilícito". Nesta terça-feira (17), o ministro do STF André Mendonça impôs o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e outras restrições à parlamentar, ao apontá-la como peça relevante da engrenagem investigada.
Em nota, a deputada afirmou que as informações divulgadas "não refletem a realidade dos fatos". Segundo a parlamentar, durante os mais de 40 anos de atuação política, sua conduta foi pautada pela integridade. Gorete reiterou que está confiante no devido processo legal e que desempenha seu cargo público com legalidade e transparência.
"Sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade. Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência."
Operação Indébito
Na decisão em que estabelece medidas cautelares à deputada, André Mendonça disse haver "inúmeros indícios" de participação dela nos crimes. Apesar da afirmação, o ministro negou o pedido de prisão preventiva de Gorete feito pela PF, com apoio do Ministério Público Federal.
De acordo com a investigação, Gorete faria parte do núcleo central do esquema ao lado do empresário Natjo de Lima Pinheiro e da advogada Cecília Rodrigues Mota. A suspeita é que o grupo controlasse associações usadas para aplicar descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
A deputada, segundo a apuração da PF, exercia papel de articulação política e operacional, inclusive junto a autoridades como o ex-presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, e com Alan Santos, diretor da Dataprev. Gorete seria responsável por acelerar a ativação das entidades.
A decisão de Mendonça também cita indícios de pagamento de propina e movimentação de "quantias expressivas" ligadas ao nome da parlamentar, além do uso de empresas associadas a ela e a familiares para lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. O ministro cita dois valores que teriam ligação com Gorete: R$ 780.433,50, apontados em uma tabela de pagamento de propina, e R$ 1,5 milhão, citados em mensagem de Natjo a Cecília com a frase "E GORETE ganhando 1,5 milhão".
Leia a íntegra da nota:
"A deputada federal Gorete Pereira reitera que não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos.
Sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade.
A parlamentar informa que sua defesa já analisa o teor da decisão.
O advogado Dr. Waldir Xavier se manifestará oportunamente após análise detalhada do caso.
Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência."