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Governo anuncia medidas de frete para garantir renda a caminhoneiros

Ministro Renan Filho disse que multas a empresas chegam a R$ 419 milhões e anunciou sistema eletrônico para coibir irregularidades.

19/3/2026
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O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou nesta quarta-feira (18) um pacote de medidas para reforçar o cumprimento do piso mínimo do frete e garantir remuneração adequada aos caminhoneiros. As ações incluem aumento da fiscalização, novas penalidades para empresas reincidentes e a implantação de um sistema de monitoramento totalmente eletrônico.

Segundo o ministro, a fiscalização foi ampliada de forma expressiva nos últimos anos, o que expôs um elevado nível de descumprimento da tabela do frete no país. Apenas nos últimos quatro meses, foram aplicados cerca de R$ 419 milhões em multas.

"Havia uma média de 300 autuações mensais na gestão anterior. O número passou para seis mil em 2025 e chegou a 40 mil em janeiro de 2026", afirmou.

Novas punições

Além do aumento das autuações, o governo pretende endurecer as sanções contra empresas que descumprem a regra. Entre as medidas em estudo estão a proibição de contratar frete em caso de pagamento abaixo do piso e a suspensão do registro para empresas reincidentes.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também prepara a criação de um documento obrigatório para as operações. Caso as informações não estejam em conformidade com a legislação, o transporte poderá ser barrado.

"Se as informações estiverem em desacordo, a autorização não será permitida", explicou o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio.

Fiscalização eletrônica

O governo quer que o controle do cumprimento da tabela seja feito de forma integralmente eletrônica. O monitoramento já utiliza integração de dados com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne informações sobre a circulação de mercadorias em todo o país.

A estratégia, segundo o ministério, é identificar irregularidades em tempo real, aplicar sanções proporcionais e responsabilizar não apenas transportadores, mas também contratantes.

Governo anuncia medidas para ampliar a fiscalização do cumprimento da tabela do piso mínimo do frete.Michel Corvello/MT

Concorrência desigual

Renan Filho afirmou que o descumprimento do piso mínimo ainda é utilizado como estratégia por parte de empresas para reduzir custos e ganhar vantagem competitiva.

"Há empresas que cumprem a tabela, enquanto outras pressionam o transportador, descumprem a regra e acabam lucrando mais, gerando concorrência desleal", disse.

De acordo com o ministro, cerca de 80% das empresas estão em conformidade, enquanto 20% ainda operam fora das regras.

Entre as companhias com maior número de autuações estão BRF, Vibra Energia, Raízen, Ambev e Cargill. Já entre as que concentram maiores valores de multas aparecem BRF, Motz Transportes, Transagil Transportes e Unilever.

Pressão do setor

A revisão do sistema de fiscalização atende a uma das principais demandas dos caminhoneiros, que reivindicam maior efetividade no cumprimento do piso mínimo do frete, previsto em lei desde 2018.

Segundo o ministro, a aplicação de multas isoladamente não tem sido suficiente para garantir o respeito à tabela.

"O que o caminhoneiro busca é receber de forma justa pelo desempenho do seu trabalho", afirmou.

A secretária nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, disse que o governo mantém diálogo constante com a categoria e que parte das medidas foi construída a partir de sugestões dos próprios profissionais.

Outras ações

Além do reforço na fiscalização, o Ministério dos Transportes também tem investido em infraestrutura de apoio aos caminhoneiros, como os Pontos de Parada e Descanso (PPDs).

Atualmente, há oito unidades em funcionamento em rodovias federais concedidas, e outras dez estão previstas para serem entregues ao longo de 2026.

As medidas, segundo o governo, buscam reduzir a instabilidade no setor e melhorar as condições de trabalho dos transportadores, especialmente diante da volatilidade dos custos operacionais, como o preço dos combustíveis.

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