A transferência de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília na quinta-feira (19) e a expectativa de que o empresário inicie um processo de delação premiada repercutiram no Congresso Nacional.
Nas redes sociais, parlamentares da direita comemoraram a decisão. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) sugeriu que nomes da política brasileira ficarão sem dormir por preocupação com a delação de Vorcaro.
A deputada Caroline de Toni (PL-SC) também manifestou apoio à decisão. "Delata, Vorcaro", escreveu. Em tom semelhante, o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) afirmou que muitos ficaram "sem dormir nas próximas 48 horas".
Já o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) declarou que "o povo quer saber quando ele vai falar" e "todos aguardam respostas". Segundo o parlamentar, a defesa de Vorcaro solicitou a presença da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) na delação.
A deputada Bia Kicis (PL-DF) afirmou que o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, "agiu certo" em não permitir que o banqueiro pudesse ser mantido em prisão domiciliar.
"Ceder agora abriria um precedente perigoso: privilégios informais, acordos opacos e corrosão da segurança jurídica."
Prisão
Vorcaro estava preso preventivamente desde o início do mês na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima onde as conversas de detentos com os advogados são monitoradas. Sua defesa pediu a mudança de local para poder falar a sós com o cliente a respeito das negociações para a construção de um acordo de delação.
Em novembro, o banqueiro chegou a ser preso pela PF, mas obteve o direito de responder em liberdade, mediante o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. A nova prisão foi fundamentada em elementos colhidos na própria investigação.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, teriam indicado que o empresário determinou a um interlocutor que prestava serviços ao banqueiro que agredisse o colunista Lauro Jardim e ameaçou "moer" uma empregada.
De acordo com as investigações, as práticas ligadas ao Banco Master teriam provocado um déficit de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir investidores e correntistas em casos de quebra de instituições financeiras.