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Após renúncias, veja quem assume governos e prefeituras das capitais

Novos governadores e prefeitos assumem após renúncias para a disputa eleitoral de outubro. Movimento reposiciona partidos, amplia o espaço do PP e fortalece sucessores em Estados e capitais.

6/4/2026
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As renúncias de governadores e prefeitos de capitais para a disputa eleitoral de outubro abriram espaço para novos ocupantes em cargos estratégicos nos Estados e em algumas das maiores cidades do país. Mais do que a saída dos titulares, o movimento projeta agora quem assumiu o comando das administrações e passa a ocupar posição central na sucessão local, seja como potencial candidato, seja como fiador político da transição.

Nos Estados, a troca de comando colocou os vices no centro do jogo político. Já surgem como nomes competitivos para a eleição Celina Leão (PP), que assumiu o governo do Distrito Federal; Ricardo Ferraço (MDB), que passou a comandar o Espírito Santo; Daniel Vilela (MDB), novo governador de Goiás; Mateus Simões (PSD), que assumiu Minas Gerais; Otaviano Pivetta (Republicanos), que tomou posse em Mato Grosso; Hana Ghassan (MDB), nova governadora do Pará; Lucas Ribeiro (PP), que assumiu a Paraíba; e Edilson Damião (Republicanos), novo governador de Roraima. A maior parte deles já é tratada como pré-candidata à reeleição, o que transforma a posse em vantagem política às vésperas da campanha.

Recém-empossada, Celina Leão vai buscar o governo do DF em outubro; Eduardo Cavalieri, de 31 anos, tornou-se o prefeito mais jovem da história do Rio ao suceder Eduardo Paes.George Giani/GDF | Thiago Lontra/Alerj | Montagem Congresso em Foco

Sem reeleição

Há, porém, sucessões que não se encaixam automaticamente nesse roteiro eleitoral. Nem todo novo ocupante do cargo deve, em princípio, disputar a reeleição, e em alguns Estados o quadro ainda está em definição. Em princípio, entre os 11 novos governadores, apenas Mailza Assis (PP), do Acre, e Roberto Cidade (União Brasil), do Amazonas, não pretendem concorrer em outubro.

Rio indefinido

O caso mais delicado é o do Rio de Janeiro. Sem vice-governador, o Estado não teve uma troca imediata nos moldes dos demais. A escolha do governador-tampão dependerá de decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o formato da eleição, que poderá ser direta ou indireta. Nesse cenário, o Rio continua como a principal indefinição entre as unidades federativas atingidas pela desincompatibilização.

PP ganha espaço

Além de reposicionar lideranças locais, a troca mexeu no mapa partidário dos governos estaduais. O PP foi o principal beneficiado e saiu com saldo positivo de dois governadores. O MDB também avançou: perdeu um posto, mas ganhou dois, terminando com saldo de mais um. O PSD trocou um por um e permaneceu estável. Já o PSB foi o mais atingido, com perda de dois governos, enquanto o Novo perdeu um. O novo desenho reforça o espaço de PP e MDB na máquina estadual e reduz o peso de siglas que já vinham tentando se firmar em Estados estratégicos.

Novos prefeitos

Nas capitais, a mudança também teve efeito imediato. Com a saída de 10 prefeitos para disputar governos estaduais, os vice-prefeitos herdaram o comando das administrações municipais e passaram a conduzir o fim do mandato em cidades-chave para a disputa regional. Assumiram Eduardo Cavaliere (PSD), na prefeitura do Rio de Janeiro; Cris Samorini (PP) em Vitória; Victor Marques (PCdoB) no Recife; Esmênia Miranda (PSD) em São Luís; Leo Bezerra (PSB) em João Pessoa; Renato Júnior (Avante) em Manaus; Pedro DaLua (União Brasil) em Macapá; Alyson Beste (PP) em Rio Branco; Marcelo Zeitone (PL) em Boa Vista; e Rodrigo Cunha em Maceió (Podemos).

Entre os novos prefeitos, um dos fatos mais simbólicos é a posse de Cris Samorini e Esmênia Miranda, as primeiras mulheres a assumirem as capitais do Espírito Santo e do Maranhão. Outro é a idade de Cavaliere, que, aos 31 anos, tornou-se o prefeito mais jovem da história do Rio.

Mudança partidária

A troca também alterou o peso dos partidos nas capitais. O PP foi novamente o principal vencedor, com ganho de duas prefeituras. PCdoB, União e Podemos avançaram uma cada. O PSB ficou no zero a zero, ao perder uma capital e ganhar outra. Do outro lado, PSDB, MDB, PSD e Republicanos registraram perdas, sendo a maior delas a do PSDB, que perdeu duas prefeituras. O resultado mostra que a desincompatibilização não produziu apenas candidaturas: ela mexeu no controle partidário de máquinas municipais importantes para a campanha nos Estados.

Nos dois níveis, o efeito político é parecido. Quem entra ganha visibilidade, amplia poder de articulação e passa a influenciar a formação de alianças, a condução da máquina pública e o desenho da sucessão. Em vários casos, esses novos governadores e prefeitos deixam de ser apenas substitutos e passam a atuar como protagonistas da eleição, ainda que nem todos venham a disputar diretamente as urnas em outubro.

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