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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
6/4/2026 | Atualizado às 10:01
As renúncias de governadores e prefeitos de capitais para a disputa eleitoral de outubro abriram espaço para novos ocupantes em cargos estratégicos nos Estados e em algumas das maiores cidades do país. Mais do que a saída dos titulares, o movimento projeta agora quem assumiu o comando das administrações e passa a ocupar posição central na sucessão local, seja como potencial candidato, seja como fiador político da transição.
Nos Estados, a troca de comando colocou os vices no centro do jogo político. Já surgem como nomes competitivos para a eleição Celina Leão (PP), que assumiu o governo do Distrito Federal; Ricardo Ferraço (MDB), que passou a comandar o Espírito Santo; Daniel Vilela (MDB), novo governador de Goiás; Mateus Simões (PSD), que assumiu Minas Gerais; Otaviano Pivetta (Republicanos), que tomou posse em Mato Grosso; Hana Ghassan (MDB), nova governadora do Pará; Lucas Ribeiro (PP), que assumiu a Paraíba; e Edilson Damião (Republicanos), novo governador de Roraima. A maior parte deles já é tratada como pré-candidata à reeleição, o que transforma a posse em vantagem política às vésperas da campanha.
Sem reeleição
Há, porém, sucessões que não se encaixam automaticamente nesse roteiro eleitoral. Nem todo novo ocupante do cargo deve, em princípio, disputar a reeleição, e em alguns Estados o quadro ainda está em definição. Em princípio, entre os 11 novos governadores, apenas Mailza Assis (PP), do Acre, e Roberto Cidade (União Brasil), do Amazonas, não pretendem concorrer em outubro.
Rio indefinido
O caso mais delicado é o do Rio de Janeiro. Sem vice-governador, o Estado não teve uma troca imediata nos moldes dos demais. A escolha do governador-tampão dependerá de decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o formato da eleição, que poderá ser direta ou indireta. Nesse cenário, o Rio continua como a principal indefinição entre as unidades federativas atingidas pela desincompatibilização.
PP ganha espaço
Além de reposicionar lideranças locais, a troca mexeu no mapa partidário dos governos estaduais. O PP foi o principal beneficiado e saiu com saldo positivo de dois governadores. O MDB também avançou: perdeu um posto, mas ganhou dois, terminando com saldo de mais um. O PSD trocou um por um e permaneceu estável. Já o PSB foi o mais atingido, com perda de dois governos, enquanto o Novo perdeu um. O novo desenho reforça o espaço de PP e MDB na máquina estadual e reduz o peso de siglas que já vinham tentando se firmar em Estados estratégicos.
Novos prefeitos
Nas capitais, a mudança também teve efeito imediato. Com a saída de 10 prefeitos para disputar governos estaduais, os vice-prefeitos herdaram o comando das administrações municipais e passaram a conduzir o fim do mandato em cidades-chave para a disputa regional. Assumiram Eduardo Cavaliere (PSD), na prefeitura do Rio de Janeiro; Cris Samorini (PP) em Vitória; Victor Marques (PCdoB) no Recife; Esmênia Miranda (PSD) em São Luís; Leo Bezerra (PSB) em João Pessoa; Renato Júnior (Avante) em Manaus; Pedro DaLua (União Brasil) em Macapá; Alyson Beste (PP) em Rio Branco; Marcelo Zeitone (PL) em Boa Vista; e Rodrigo Cunha em Maceió (Podemos).
Entre os novos prefeitos, um dos fatos mais simbólicos é a posse de Cris Samorini e Esmênia Miranda, as primeiras mulheres a assumirem as capitais do Espírito Santo e do Maranhão. Outro é a idade de Cavaliere, que, aos 31 anos, tornou-se o prefeito mais jovem da história do Rio.
Mudança partidária
A troca também alterou o peso dos partidos nas capitais. O PP foi novamente o principal vencedor, com ganho de duas prefeituras. PCdoB, União e Podemos avançaram uma cada. O PSB ficou no zero a zero, ao perder uma capital e ganhar outra. Do outro lado, PSDB, MDB, PSD e Republicanos registraram perdas, sendo a maior delas a do PSDB, que perdeu duas prefeituras. O resultado mostra que a desincompatibilização não produziu apenas candidaturas: ela mexeu no controle partidário de máquinas municipais importantes para a campanha nos Estados.
Nos dois níveis, o efeito político é parecido. Quem entra ganha visibilidade, amplia poder de articulação e passa a influenciar a formação de alianças, a condução da máquina pública e o desenho da sucessão. Em vários casos, esses novos governadores e prefeitos deixam de ser apenas substitutos e passam a atuar como protagonistas da eleição, ainda que nem todos venham a disputar diretamente as urnas em outubro.
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