Em conversa com jornalistas nesta terça-feira (7), o relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou ter recebido resposta negativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a prorrogação do prazo de funcionamento do colegiado. Com isso, o parecer deverá ser elaborado e entregue para votação até o dia 14.
Vieira se reuniu no início da tarde de hoje com Alcolumbre, um dia após protocolar o pedido de prorrogação com 28 assinaturas. "O requerimento foi apresentado com todos os requisitos constitucionais e regimentais, mas o presidente Davi Alcolumbre decidiu não fazer a prorrogação do período. Ele justifica dizendo que se trata de um ano eleitoral e, na visão dele, não é bom ter uma CPI tramitando", disse.
Segundo o relator, Alcolumbre "presta um grande desserviço para a nação" com a decisão. "A CPI tem assuntos importantes ainda a analisar. Nós temos um volume muito elevado de documentos, de dados, de sigilos que foram quebrados, que precisam ser analisados, mas a gente não terá esse tempo", completou.
Alessandro também revelou ter conversado com o presidente sobre a instalação da CPI do Banco Master. Na ocasião, Alcolumbre reforçou que "não vai fazer instalação de nenhuma CPI por vontade própria". O senador ainda criticou decisão do STF que havia afastado a obrigatoriedade da leitura de requerimentos de prorrogação ao não impor a prorrogação da CPMI do INSS.
Segundo Vieira, a decisão foi inconstitucional. "Nós temos hoje uma definição do STF no sentido de que cabe ao presidente do Senado esta avaliação de oportunidade. Isso contradiz o que diz o regimento do Senado e contradiz o que diz a Constituição, mas é o entendimento dos ministros", declarou.
Trabalho restante
Diante da recusa, o relator afirmou que as equipes técnicas da comissão já iniciaram a compilação das informações necessárias para a conclusão do relatório. "As equipes estão trabalhando diuturnamente para que a gente possa fazer o máximo de levantamento desses dados e de cruzamento dos dados. O trabalho de investigação exige acesso às informações e, depois, o cruzamento", afirmou.
Até a votação, o colegiado ainda pretende realizar as oitivas do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A comissão também pretendia ouvir o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre a fraude do Banco Master, mas ele ainda não respondeu à intimação.