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Galípolo nega à CPI ter conversado com Moraes sobre o Banco Master

Em depoimento aos senadores, Galípolo detalhou encontro com Lula e Daniel Vorcaro no Planalto e afirmou que o presidente mandou deixar o caso Master sob análise técnica do Banco Central.

8/4/2026
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8), em depoimento à CPI do Crime Organizado, que suas reuniões com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, trataram exclusivamente dos efeitos da Lei Magnitsky. Segundo ele, não houve qualquer conversa com ministros do STF sobre a situação do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo BC em novembro do ano passado.

Galípolo disse que os encontros com Moraes ocorreram no contexto da crise aberta pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e envolveram apenas temas ligados a privacidade, sigilo bancário e financeiro do ministro e de familiares. "Todos os temas com a Suprema Corte eram sempre relacionados com isso", afirmou ao colegiado.

Reunião no Planalto

Durante a reunião, o presidente do BC também detalhou uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula, o banqueiro Daniel Vorcaro, acionistas do Master, os ministros Rui Costa e Alexandre Silveira e o ex-ministro Guido Mantega, que prestava consultoria para o banco. Segundo Galípolo, os representantes do Master sustentavam que a instituição enfrentava dificuldades de captação por causa de uma suposta perseguição do mercado financeiro.

De acordo com ele, Lula afirmou no encontro que o assunto não cabia ao presidente da República, mas ao Banco Central, e que deveria ser tratado de maneira técnica. A fala reforça a linha adotada por Galípolo na CPI de afastar qualquer interferência política na condução do caso.

Relação com Moraes

Ao ser questionado sobre Alexandre de Moraes, Galípolo afirmou que sempre manteve relação cordial com o ministro, mas negou ter tratado do Banco Master com ele. Disse ainda que não se recorda de ter falado por telefone com Moraes e que jamais conversou com a esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, que advogou para o Master.

A referência à Lei Magnitsky surgiu porque Moraes e familiares foram alvo de sanções do governo dos Estados Unidos em 2025. Segundo Galípolo, esse foi o único tema levado às reuniões com integrantes do STF, por envolver risco sistêmico e informações protegidas por sigilo.

Master e Campos Neto

O presidente do Banco Central também afirmou que não há auditoria nem sindicância da autoridade monetária que atribua culpa ao ex-presidente Roberto Campos Neto na condução do caso Master. Questionado sobre a atuação do antecessor, Galípolo evitou responsabilizá-lo e disse que o próprio BC ainda enfrenta questionamentos sobre o momento em que decidiu liquidar a instituição.

Segundo ele, o Banco Master já enfrentava dificuldades de liquidez desde janeiro de 2025, e o passivo foi consumindo o caixa da instituição até que, no momento da liquidação, o banco tinha apenas 10% do valor necessário para honrar os compromissos daquele dia.

Galípolo afirmou que a decisão tomada em novembro seguiu todos os ritos legais e técnicos. Disse ainda que, mesmo depois da liquidação, continua sendo cobrado por órgãos de controle sobre a possibilidade de a medida ter sido precipitada.

Servidores investigados

O caso Master também atinge o próprio Banco Central. Dois servidores da autarquia foram afastados e são investigados por suspeita de favorecimento à instituição. Segundo as apurações, eles teriam orientado estrategicamente o banco em processos administrativos e regulatórios, revisado documentos enviados ao BC, vazado informações internas e recebido vantagens indevidas em troca.

O depoimento de Galípolo ocorre na reta final da CPI do Crime Organizado, que tenta avançar sobre possíveis conexões entre fragilidades de fiscalização bancária e a atuação de organizações criminosas no sistema financeiro. Chamado a prestar esclarecimentos pela CPI, o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto não compareceu à reunião. Esta foi a terceira vez que a comissão tentou ouvi-lo.

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