A eleição presidencial de 2026 começa a se desenhar como uma disputa travada pela força dos dois polos políticos que dominam o país desde 2018. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (27) mostra que o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentram a maior parte das intenções de voto, têm bases eleitorais consolidadas e enfrentam rejeições quase equivalentes.
Entre os eleitores que escolheram algum candidato no principal cenário de primeiro turno, 69% dizem que a decisão já está tomada e não vai mais mudar. Outros 29% afirmam que ainda podem mudar o voto. O grau de fidelidade é ainda mais claro entre os dois principais nomes: 74% dos eleitores de Lula e 74% dos eleitores de Flávio Bolsonaro afirmam que já estão decididos.
Veja os resultados da pesquisa na íntegra.
Antilulismo maior que antibolsonarismo
A pesquisa também mostra que a polarização se mantém forte porque os sentimentos de rejeição aos dois campos aparecem em patamares próximos. Na escala de 0 a 10 usada pela Nexus, a média do sentimento anti-Lula é de 5,5, enquanto a média do sentimento anti-Bolsonaro e sua família é de 4,8. No ponto máximo da escala, 36% se dizem totalmente anti-Lula, contra 32% totalmente anti-Bolsonaro.
Esses números ajudam a explicar por que há pouco espaço, até agora, para uma terceira via. Embora 18% dos entrevistados digam preferir um candidato que não seja apoiado nem por Lula nem por Jair Bolsonaro, esse eleitorado não se concentra em um nome competitivo. Parte dele acaba votando em Lula, parte em Flávio, parte se divide entre outros candidatos e uma parcela declara voto branco, nulo ou nenhum.
Primeiro e segundo turnos
No voto espontâneo, Lula aparece com 33%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 26%. Jair Bolsonaro, mesmo inelegível, é citado por 2%. Outros nomes ficam no mesmo patamar ou abaixo disso, enquanto 29% não sabem ou não responderam.
Nos cenários estimulados de primeiro turno, a concentração se repete. Lula aparece sempre com 41%. Flávio Bolsonaro varia de 36% a 38%, dependendo da lista de candidatos testada. Os demais nomes ficam em patamar de um dígito.
No principal cenário, Lula tem 41%, contra 36% de Flávio. Romeu Zema aparece com 4%; Ronaldo Caiado e Renan Santos, com 3% cada; Augusto Cury, com 2%; Cabo Daciolo e Aldo Rebelo, com 1% cada. Brancos, nulos ou nenhum somam 6%, e não sabem ou não responderam, 2%.
A força dos dois polos também aparece em outro dado: 38% dos entrevistados citam Lula em todos os cenários de primeiro turno, enquanto 33% citam Flávio Bolsonaro em todos os cenários.
Rejeição também é parecida
A polarização se expressa não apenas no voto, mas também na rejeição. Segundo a pesquisa, 49% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum. No caso de Flávio Bolsonaro, o percentual é de 48%.
No potencial de voto, 34% dizem que Lula é o único candidato em quem votariam, e 16% afirmam que poderiam votar nele, mas também em outro. No caso de Flávio, 27% dizem que ele é o único em quem votariam, e 21% afirmam que poderiam votar nele e em outro nome.
O cruzamento entre os dois principais nomes mostra um país dividido em blocos praticamente simétricos: 41% dizem que não votam em Lula, mas votam em Flávio Bolsonaro; outros 41% dizem que não votam em Flávio, mas votam em Lula. Apenas 6% afirmam que poderiam votar nos dois, e 7% não votariam em nenhum dos dois.
Terceira via existe, mas se dispersa
A pesquisa mostra que há demanda por uma alternativa fora da polarização, mas ainda sem tradução eleitoral clara. Quando perguntados sobre quem deveria ser eleito presidente em 2026, 37% preferem Lula e 37% preferem Flávio Bolsonaro ou algum candidato indicado por Jair Bolsonaro ou por sua família. Outros 18% dizem preferir um candidato que não seja apoiado por nenhum dos dois campos.
O problema para esse grupo é a dispersão. Entre os eleitores que declaram preferência por uma terceira via, 41% votam em outros candidatos no primeiro turno, mas 20% escolhem Lula, 17% votam em Flávio Bolsonaro, 15% dizem votar branco, nulo ou em ninguém, e 7% não sabem ou não responderam.
Essa fragmentação ajuda a explicar por que nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Aldo Rebelo, Augusto Cury e Cabo Daciolo aparecem distantes dos dois principais polos.
Concentração de votos e de rejeição
Em eventual segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados. O presidente marca 46%, contra 45% do senador. Brancos, nulos ou nenhum somam 8%, e não sabem ou não responderam, 1%.
Contra outros nomes da direita, Lula aparece numericamente à frente, mas com vantagem apertada: marca 45% contra 41% de Romeu Zema e 45% contra 41% de Ronaldo Caiado.
O conjunto dos dados mostra uma eleição travada por dois movimentos simultâneos. Lula e o bolsonarismo concentram votos e têm bases fiéis, mas também enfrentam rejeições elevadas. A terceira via aparece como desejo de uma parcela do eleitorado, porém ainda sem força suficiente para romper a lógica dominante da disputa.