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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
27/4/2026 | Atualizado às 9:27
A resistência à reeleição do presidente Lula não aparece, na pesquisa BTG/Nexus, como resultado de um único fator. O levantamento indica uma combinação de avaliação negativa do governo, percepção de piora ou dificuldade no cotidiano econômico, alta rejeição eleitoral e força do antilulismo como elemento de mobilização política.
O primeiro dado que ajuda a explicar a resistência a Lula é a avaliação do governo. Segundo a pesquisa, 49% desaprovam o trabalho do presidente, contra 46% que aprovam. Na avaliação qualitativa, 43% classificam a gestão como ruim ou péssima, enquanto 33% a consideram ótima ou boa. Em relação à rodada anterior, divulgada em março, houve leve melhora: a desaprovação era de 51%, e a aprovação, de 45%, segundo levantamento publicado à época. Ainda assim, o saldo segue negativo.
Veja os resultados da pesquisa na íntegra.
Desgaste é maior entre homens, evangélicos e renda alta
A avaliação negativa de Lula é mais intensa em alguns segmentos. Entre os homens, 56% desaprovam o governo, e 41% classificam a gestão como péssima. Entre evangélicos, a desaprovação chega a 60%, com 42% de avaliação péssima. No eleitorado com ensino superior, 58% desaprovam o governo, e 41% consideram a gestão péssima.
O desgaste também aparece entre trabalhadores da população economicamente ativa formal, grupo em que 58% desaprovam o governo e 40% avaliam a gestão como péssima. Entre eleitores com renda familiar superior a cinco salários mínimos, a desaprovação é de 57%, e a avaliação péssima chega a 46%. Regionalmente, a desaprovação é mais alta no Sul, com 56%, e no Norte/Centro-Oeste, com 55%.
Esses recortes ajudam a explicar por que Lula mantém força em segmentos populares, mas enfrenta resistência consistente em parcelas de renda mais alta, maior escolaridade, homens, evangélicos e trabalhadores formais.
Economia do dia a dia pesa na avaliação
A economia aparece como outro fator relevante para o desgaste. Mesmo com indicadores macroeconômicos favoráveis ao governo em algumas áreas, como inflação e baixa taxa de desemprego, a pesquisa sugere que parte do eleitorado ainda percebe dificuldade concreta no orçamento doméstico.
No levantamento, 50% dos entrevistados dizem que ficou mais difícil comprar alimentos e bebidas na comparação com o fim do governo anterior. Também são altos os percentuais dos que afirmam ter mais dificuldade para pagar contas da casa, como luz, água, internet e aluguel, comprar remédios ou medicamentos e pagar fatura de cartão de crédito. A pesquisa cria ainda um índice de dificuldade percebida: 37% relatam dificuldade abrangente, em quatro a oito itens, e 13% dizem enfrentar dificuldade generalizada, em todos os itens testados.
A situação financeira também se conecta diretamente à avaliação do governo. Entre quem tem dívidas ou compromissos financeiros atrasados há mais de 30 dias, 48% avaliam o governo como ruim ou péssimo. Entre os que não têm dívidas, esse percentual é menor, de 39%.
Esse conjunto de dados indica que a resistência a Lula não se limita à disputa ideológica. Ela também é alimentada por uma percepção de aperto no cotidiano, especialmente em despesas básicas.
Saúde, segurança e corrupção pressionam o governo
A pesquisa também mostra que os principais problemas apontados pelos brasileiros estão em áreas sensíveis para qualquer governo: saúde pública, segurança e corrupção. Em abril, saúde aparece como o problema mais citado, com 26%; segurança pública, violência e criminalidade vêm em seguida, com 25%; e corrupção aparece com 24%. Educação, classe política, inflação e custo de vida também aparecem entre as principais preocupações.
Esse dado é importante porque ajuda a deslocar a análise para além da economia. A resistência à reeleição de Lula pode ser reforçada por uma percepção de que problemas estruturais do país seguem sem resposta suficiente, especialmente em áreas que afetam diretamente a vida cotidiana.
Antilulismo supera antibolsonarismo
Outro elemento central é a polarização. A pesquisa mede, em escala de 0 a 10, o grau de identificação dos eleitores com as frases "sou Anti-Lula" e "sou Anti-Bolsonaro e sua família". A média do sentimento anti-Lula é 5,5, enquanto a média do antibolsonarismo é 4,8. No ponto máximo da escala, 36% concordam totalmente com a afirmação anti-Lula, contra 32% no caso anti-Bolsonaro.
A classificação dos perfis políticos reforça esse quadro: 28% dos eleitores são definidos como "bolsonaristas convictos", grupo que se identifica com o antilulismo e rejeita o antibolsonarismo. Os "lulistas convictos", que fazem o movimento inverso, somam 22%.
Isso não significa que Lula tenha rejeição eleitoral muito maior que Flávio Bolsonaro. Na pergunta direta sobre rejeição, os dois aparecem praticamente empatados: 49% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, e 48% dizem o mesmo de Flávio. Mas o dado mostra que o sentimento anti-Lula é numericamente mais intenso na escala de identificação política.
Reeleição enfrenta teto de resistência
A resistência a Lula também se expressa no potencial de voto. Segundo a pesquisa, 41% dizem que não votam em Lula, mas votam em Flávio Bolsonaro. Outros 41% dizem o inverso: não votam em Flávio, mas votam em Lula. Há ainda 6% que afirmam poder votar nos dois e 7% que dizem não votar em nenhum dos dois.
Quando os eleitores são perguntados sobre quem deveria ser eleito presidente em 2026, 37% preferem Lula, e outros 37% preferem Flávio Bolsonaro ou algum candidato indicado por Jair Bolsonaro ou por sua família. Outros 18% dizem preferir um candidato que não seja apoiado nem por Lula nem por Bolsonaro.
Esse dado revela dois movimentos simultâneos: Lula preserva uma base robusta, mas enfrenta um bloco de oposição de tamanho semelhante e uma parcela relevante do eleitorado que manifesta desejo por alternativa fora da polarização.
Voto contra Lula se consolida quando avaliação é negativa
A relação entre avaliação do governo e intenção de voto é direta. Entre os eleitores que classificam o governo como ruim ou péssimo, 72% votam em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, enquanto apenas 2% votam em Lula. Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, 87% dos que avaliam o governo como ruim ou péssimo escolhem Flávio, contra 3% que optam por Lula.
Já entre os que avaliam o governo como regular, Lula ainda tem vantagem: 41% no primeiro turno e 54% no segundo turno contra Flávio. Esse grupo tende a ser decisivo, porque não está plenamente incorporado à base governista, mas também não migra automaticamente para a oposição.
Assim, a pesquisa sugere que a resistência à reeleição de Lula é movida por quatro forças principais: desaprovação do governo, percepção de dificuldade econômica, insatisfação com áreas como saúde, segurança e corrupção, e força do antilulismo. O desafio eleitoral do presidente é impedir que esses fatores se convertam em um voto consolidado contra sua permanência no Planalto.
A pesquisa foi realizada por telefone entre 24 e 26 de abril, com 2.028 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE (BR-01075/2026).
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