O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou a exoneração do assessor parlamentar Bernardo Moreira Amado Barros, ligado ao gabinete do deputado André Janones (Rede-MG). O funcionário havia invadido uma transmissão ao vivo da Globo no Salão Verde na última sexta-feira (30) e proferido ofensas ao líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB).
Durante a transmissão, era realizado um debate entre Gilberto Silva e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo, chamados a comentar a sessão conjunta que resultou na derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria. Enquanto o deputado oposicionista se pronunciava, Bernardo interferiu e gritou "Anistia é o caralho, Lula reeleito".
Após o episódio, o assessor foi conduzido até a delegacia da Polícia Legislativa. Bernardo recebia R$ 7 mil como funcionário comissionado da Casa, e é também influenciador digital, com mais de 400 mil seguidores no Instagram. Em seus perfis, ele ironizou a situação: "Depois disso o Deputado bolsonarista surtou comigo, mandou me prender e vai me processar", publicou.
Em nota, Gilberto Silva exaltou a decisão do presidente. "Reconhecemos a postura firme e correta do presidente Hugo Motta. A exoneração é o mínimo. (...) Não se trata de um episódio isolado. É um retrato fiel de um projeto político que não tolera o contraditório, que não respeita a imprensa e que não aceita o voto do povo brasileiro", afirmou.
Segundo o deputado, "a tentativa de silenciar a oposição com gritos, ofensas e agressões é a confissão de quem não tem como defender o indefensável".
O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), também se pronunciou. "O episódio configura grave atentado ao livre exercício da atividade parlamentar e à liberdade de imprensa, valores fundamentais consagrados pela Constituição Federal", apontou.