O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados, do advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, informou nesta segunda-feira (11) que deixou a defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) no caso em que o parlamentar é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, relacionada ao Banco Master.
Em nota, o escritório afirmou que a saída ocorreu "em comum acordo" com o senador. "O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso", diz o comunicado, assinado por Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.
Baseado em Brasília, Kakay é um criminalista conhecido por atuar na defesa de políticos, empresários e autoridades em casos de grande repercussão. Ele já advogou para o senador em outros casos.
Suspeitas de vantagens econômicas e empresariais
Ciro foi alvo de busca e apreensão na semana passada em sua residência no Lago Sul, em Brasília. Segundo relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o senador teria mantido relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, envolvendo interesses políticos e financeiros. A PF sustenta que o parlamentar teria atuado em favor do grupo empresarial de Vorcaro.
Os investigadores apontam suspeitas de vantagens econômicas e patrimoniais, como uso de imóvel de alto padrão, custeio de viagens internacionais, hospedagens de luxo, restaurantes, deslocamentos, uso de cartão para despesas pessoais e indícios de recebimento de dinheiro em espécie, além de mesada.
Antes de deixar o caso, a defesa do senador havia negado qualquer ilicitude na conduta do parlamentar e afirmado que medidas investigativas "graves e invasivas", baseadas em "mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros", poderiam ser precipitadas e deveriam passar por controle das Cortes Superiores. O ministro André Mendonça, do STF, proibiu Ciro de manter contato com testemunhas e demais investigados, mas não decretou prisão cautelar do senador.