A melhora de Lula na pesquisa Genial/Quaest ainda esbarra no principal problema sentido pelo eleitor: o custo de vida. Embora o governo tenha avançado em aprovação, avaliação e intenção de voto, a percepção econômica segue negativa para a maioria dos brasileiros.
Segundo a pesquisa, 46% dos entrevistados dizem que a economia do Brasil piorou nos últimos 12 meses. Outros 29% afirmam que ela ficou quase do mesmo jeito, e 22% avaliam que melhorou. O quadro é um pouco menos ruim do que em abril, quando 50% diziam que a economia havia piorado, mas a avaliação negativa continua predominante.
Alimentos continuam pressionando
O preço dos alimentos segue como uma das maiores fontes de desgaste. Para 69% dos brasileiros, os alimentos nos mercados subiram no último mês. Outros 21% dizem que ficaram iguais, e apenas 8% afirmam que caíram.
O número é ligeiramente melhor que o de abril, quando 72% relatavam alta dos alimentos, mas ainda revela uma percepção de pressão forte sobre o orçamento doméstico. Esse dado ajuda a explicar por que a melhora política do presidente não se transforma, por enquanto, em uma recuperação mais ampla.
Poder de compra segue menor
A sensação de perda de renda também permanece alta. De acordo com a Quaest, 69% dos entrevistados dizem que, com o dinheiro que recebem hoje, conseguem comprar menos do que compravam um ano atrás. Outros 19% afirmam que compram a mesma coisa, e apenas 11% dizem comprar mais.
Esse é um dos indicadores mais sensíveis para o governo porque traduz a economia em experiência cotidiana. Ainda que indicadores macroeconômicos possam mostrar melhora, a maioria dos eleitores afirma sentir perda concreta no poder de compra.
Emprego também preocupa
A percepção sobre emprego segue desfavorável. Para 51%, está mais difícil conseguir trabalho hoje do que há um ano. Outros 38% dizem que está mais fácil, e 5% afirmam que a situação ficou igual. Em abril, os que viam mais dificuldade eram 53%, o que indica pequena melhora, mas ainda insuficiente para inverter o sinal negativo.
Futuro é menos pessimista
O ponto de alívio para Lula aparece nas expectativas para os próximos 12 meses. A parcela dos entrevistados que acreditam que a economia vai melhorar é de 40%, mesmo percentual registrado em abril. Já os que esperam piora caíram de 32% para 27%. Os que acham que a economia ficará do mesmo jeito subiram de 23% para 28%.
Esse dado sugere que o eleitor ainda avalia mal a economia presente, mas está menos pessimista em relação ao futuro. Para o governo, o desafio é transformar essa expectativa em percepção concreta de melhora no mercado, no emprego e no orçamento familiar.
Economia limita avanço político
A pesquisa ajuda a explicar o paradoxo do momento: Lula melhora politicamente, cresce numericamente contra Flávio Bolsonaro e reduz a desaprovação, mas continua limitado por uma economia que o eleitor ainda sente como difícil. O presidente ganhou fôlego, mas a consolidação dessa recuperação depende, sobretudo, de queda perceptível no custo de vida e de melhora no poder de compra.
A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de confiança na pesquisa, registrada no TSE sob o número BR-03598/2026, é de 95%.