Durante visita à fábrica de fertilizantes da Petrobras na Bahia, nesta quinta-feira (14), o presidente Lula foi questionado a respeito do vazamento do áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao controlador do Master, Daniel Vorcaro, solicitando recursos para a produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018.
O chefe do Executivo afirmou que não iria comentar a respeito por se tratar de "um caso de polícia", que deverá ser investigado não por ele, mas sim pelas autoridades competentes.
"Eu não vou comentar um caso de polícia. Não é meu, eu não sou policial, eu não sou procurador-geral, o caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem, então vá na primeira delegacia da Polícia Federal e pergunte como é que vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, é tratar da Petrobras, é tratar do emprego", declarou.
Veja a fala:
O presidente Lula é o quarto pré-candidato ao Planalto a se pronunciar a respeito do vazamento. Mais cedo, Romeu Zema, do Novo, e Renan Santos, do Missão, se manifestaram em repúdio à conduta do senador, que também busca concorrer à Presidência da República.
Ronaldo Caiado, do PSD, foi mais reservado, cobrando esclarecimentos, mas ressaltando que não tentaria se aproveitar da situação e que seu foco seria derrotar o governo Lula.
Áudio com Vorcaro
O episódio em questão ocorreu na quarta-feira (13), após o portal Intercept divulgar mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro em conversas com Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem, o senador pedia dinheiro para financiar o filme Dark Horse em meio a dificuldades para pagar a produção.
De acordo com a apuração, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025 para financiar o projeto cinematográfico. O valor total negociado seria de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões.
Flávio admitiu ter buscado recursos com Vorcaro, mas negou irregularidades. O senador afirmou que se tratava de "patrocínio privado para um filme privado" sobre a história do pai. Ele também negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido recursos pessoalmente.