O presidente Lula confirmou que se reunirá na próxima segunda-feira (25) com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, para tratar da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (22), durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil. Segundo Lula, a intenção é alinhar os próximos passos da tramitação da proposta no Congresso Nacional.
Negociação com o Congresso
O relator da PEC, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar seu parecer também na segunda-feira, após a reunião de Lula e Motta. A expectativa é de que o texto seja aprovado tanto na comissão quanto no Plenário durante a semana.
Ainda na entrevista à TV Brasil, o presidente afirmou que defende a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário e período de transição. Mas admitiu que o texto final dependerá de negociação no Congresso.
"Obviamente não temos força para aprovar tudo que a gente quer, então temos que negociar", declarou.
A discussão gira em torno de uma mudança na Constituição para alterar o regime de jornada de trabalho atualmente adotado em diversos setores da economia. O texto em debate busca substituir a escala de seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso pelo modelo 5x2, além de abrir caminho para uma futura redução da carga semanal.
Prioridade
Nos bastidores, governo e Câmara já vinham negociando um acordo para acelerar a análise do tema. Hugo Motta aceitou avançar tanto com a PEC em tramitação quanto com um projeto de lei articulado pelo Palácio do Planalto para regulamentar a transição do novo modelo trabalhista.
A proposta se tornou uma das prioridades políticas do governo Lula em 2026 e ganhou força após pressão de centrais sindicais e movimentos trabalhistas, como o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que defende o fim da escala 6x1 e a ampliação dos períodos de descanso para os trabalhadores.
Hugo Motta já classificou o debate como "inadiável" e afirmou, em fevereiro, que o tema teria prioridade na Câmara. A expectativa do governo é construir um consenso para evitar resistência do setor empresarial e garantir apoio suficiente para aprovar as mudanças ainda neste ano.