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De olho nas eleições, 135 deputados trocaram de partido; veja a lista

Levantamento do Congresso em Foco mostra saldo final da janela partidária: um em cada quatro parlamentares mudou de legenda. Podemos e PL foram os partidos que mais cresceram.

26/5/2026
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O balanço final da janela partidária mostra que 135 deputados federais trocaram de partido de olho nas eleições de outubro. O número foi identificado pelo Congresso em Foco em dados disponíveis no portal da Câmara dos Deputados até esta segunda-feira (25). A lista representa as mudanças feitas entre 5 de março e 3 de abril, período em que parlamentares puderam mudar de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária.

Quando a janela partidária terminou, em 3 de abril, os números ainda eram parciais. Isso porque os deputados levaram alguns dias para informar à Câmara as mudanças de partido, e não há prazo para que essa comunicação interna à Casa seja feita imediatamente. Por isso, o levantamento atual reflete o quadro final das trocas já registradas no portal da Câmara.

As mudanças ocorreram no período permitido pela legislação eleitoral para a migração partidária de deputados federais, estaduais e distritais que pretendem disputar as eleições de outubro. A janela funciona como uma espécie de salvo-conduto para que parlamentares possam buscar uma nova legenda sem responder a processo por infidelidade partidária. A migração deste ano supera a registrada nas eleições de 2018, quando 85 deputados trocaram de sigla, e de 2022, quando houve 121 mudanças.

O levantamento mostra uma ampla reorganização das bancadas a poucos meses das eleições. Em ano eleitoral, a troca de partido costuma ser motivada por cálculos de sobrevivência política, busca de espaço nas nominatas (listas de candidatos), aproximação de palanques estaduais e, em alguns casos, preparação para disputas majoritárias, como Senado ou governo estadual.

Presidente do Podemos, deputada Renata Abreu comemora a filiação dos deputados Felipe Becari, à sua esquerda, e Flávio Ganem, à sua direita. Partido teve o melhor desempenho na janela partidária.Ascom/Podemos

Podemos e PL foram os que mais cresceram

O Podemos foi o partido que mais cresceu no saldo final da janela. A legenda recebeu 14 deputados, perdeu 3 e terminou o período com 11 cadeiras a mais na Câmara.

O PL teve o segundo maior ganho líquido. O partido recebeu 21 parlamentares, perdeu 11 e fechou a janela com saldo positivo de 10 deputados. A legenda também foi um dos principais destinos de parlamentares que deixaram partidos de centro e de direita.

Também tiveram saldo positivo PSDB e PV, com 2 deputados a mais cada. Missão, PCdoB, PSB, PSD, Rede e Solidariedade ganharam uma cadeira no balanço final. PT e Psol terminaram a janela sem variação líquida, com uma entrada e uma saída cada.

União e PDT lideram perdas

Na outra ponta, União Brasil e PDT foram os partidos que mais perderam deputados. Cada um encerrou a janela com saldo negativo de 8 cadeiras. O União foi a legenda com maior volume de movimentações: recebeu 21 deputados, mas perdeu 29. Já o PDT recebeu apenas 1 deputado e perdeu 9.

O MDB também encolheu na janela, com saldo negativo de 4 cadeiras. Avante e PRD perderam 3 deputados cada. PP e Cidadania ficaram com saldo de menos 2, enquanto o Republicanos perdeu 1 cadeira no balanço entre entradas e saídas.

Trocas ocorreram em campos próximos

A maior parte das migrações ocorreu dentro de campos políticos próximos. O principal fluxo registrado no levantamento foi do União Brasil para o PL, com 10 deputados, seguido pelas mudanças do Republicanos para o União, com 7, e do PSD para o União, com 6.

Também foram expressivas as transferências do União para o Podemos e do União para o PSDB, com 5 deputados cada. O MDB perdeu 4 parlamentares para o Podemos, enquanto o PSD perdeu 4 para o PL.

Vaivém partidário

O caso mais incomum foi o do deputado Padovani (PR), que começou a janela no União Brasil, passou pelo PL e pelo Republicanos e terminou filiado ao PP no período de um mês. A sequência de mudanças foi associada às articulações para a eleição no Paraná, em especial à disputa pelo governo do Estado. Padovani busca espaço em uma chapa majoritária, possivelmente como candidato a vice.

Entre outras novidades, Kim Kataguiri (SP) se tornou o primeiro e único até aqui deputado do recém-criado Missão, partido fundado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), do qual o deputado é uma das principais lideranças. Kim deixou o União Brasil.

O deputado paranaense Padovani teve a janela partidária mais movimentada de toda a Câmara: em um mês passou por quatro partidos: saiu do União Brasil, passou pelo PL e pelo Republicanos até se filiar ao PP.Kayo Magalhães/Agência Câmara

Outra baixa no partido foi a da deputada Rosângela Moro (SP), que migrou para o PL, acompanhando o marido, o senador Sergio Moro (PL-PR), pré-candidato a governador. Rosângela concorrerá à reeleição, desta vez pelo Paraná.

Mais à esquerda, em Minas Gerais, Duda Salabert (MG) deixou o PDT e foi para o Psol, enquanto André Janones (MG) saiu do Avante e se filiou à Rede.

A janela também serviu para deputados que miram disputas majoritárias. Luizianne Lins (CE) deixou o PT após 37 anos de filiação e ingressou na Rede, em movimento associado à possibilidade de disputar uma vaga ao Senado pelo Ceará. Celso Sabino (PA), ex-ministro do Turismo, deixou o União Brasil e se filiou ao PDT, também de olho em uma candidatura ao Senado pelo Pará. Em uma das mudanças mais surpreendentes, Túlio Gadêlha trocou a Rede pelo PSD para disputar o Senado por Pernambuco.

Reacomodação política

As trocas indicam que, na maior parte dos casos, os deputados não fizeram movimentos de ruptura ideológica profunda, mas de reposicionamento eleitoral. Parlamentares costumam mudar de legenda quando avaliam que terão mais espaço para disputar a reeleição, mais apoio financeiro e político, ou menos concorrência interna no Estado.

A pressão também vem da cláusula de barreira, que ficará mais dura na eleição deste ano. Para manter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de rádio e TV, partidos e federações precisarão alcançar ao menos 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, distribuídos em pelo menos nove unidades da Federação, com mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada uma delas; ou eleger 13 deputados federais, também distribuídos por ao menos nove estados. Em 2022, a exigência era menor: 2% dos votos válidos nacionais, com mínimo de 1% em nove Estados, ou 11 deputados federais eleitos.

Com esse novo patamar, a escolha do partido passa a pesar ainda mais no cálculo eleitoral dos deputados. Siglas pequenas ou com votação concentrada em poucos estados precisam ampliar sua presença nacional, formar federações, atrair nomes competitivos ou buscar fusões e incorporações. Para o parlamentar, migrar para uma legenda mais estruturada pode significar mais chance de disputar a reeleição, acesso a recursos e presença em uma chapa capaz de superar a barreira.

Em busca da sobrevivência

A janela partidária também tem impacto direto na correlação de forças da Câmara. Bancadas maiores têm mais peso na escolha de lideranças, na composição de comissões, na indicação de relatorias e nas negociações da pauta legislativa. No saldo final, o levantamento mostra que Podemos e PL saíram fortalecidos, enquanto União Brasil e PDT foram os partidos que mais perderam espaço.

As 135 mudanças mostram que a janela partidária funcionou como uma prévia da disputa eleitoral: antes mesmo da campanha, deputados e partidos já reorganizaram forças em busca de sobrevivência, palanques e maior competitividade nas urnas.

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