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Veja como eram e como ficaram as bancadas desde a eleição de 2022

Trocas partidárias, fusões e decisão do STF sobre sobras eleitorais mudaram o tamanho das bancadas na Câmara em relação ao resultado das urnas de 2022.

26/5/2026
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Quase quatro anos depois da eleição de 2022, a Câmara chega a maio de 2026 com uma configuração partidária diferente da definida nas urnas. Levantamento do Congresso em Foco compara o tamanho das bancadas eleitas com a composição atual da Casa, redesenhada com as mais de 130 trocas registradas durante a janela partidária, e mostra que Podemos e PSD foram os partidos que mais cresceram, enquanto União Brasil e PDT tiveram as maiores perdas.

A tabela abaixo compara duas fotografias: de um lado, a bancada eleita em 2022, conforme a base de dados da Câmara dos Deputados; de outro, a composição atual das bancadas, também informada pela Câmara. A comparação parte do quadro oficial disponível na Casa para a eleição de 2022, mas a reportagem registra que esse resultado sofreu alterações posteriores.

O PL continua sendo a maior bancada da Câmara, com 97 deputados, apesar de ter dois a menos do que os 99 eleitos em 2022. A Federação PT-PCdoB-PV aparece em segundo lugar, com 83 deputados, dois a mais do que os 81 eleitos. O União Brasil, que saiu das urnas como terceira maior força da Casa, caiu de 59 para 50 cadeiras. Mesmo assim, segue como a terceira bancada mais numerosa.

A Câmara lista ainda PSD, com 48 deputados; PP, com 47; Republicanos, com 43; MDB, com 38; e Podemos, com 27, entre as maiores representações partidárias da Casa.

Fevereiro de 2023: sessão solene de posse dos deputados eleitos em 2022. De lá para cá, muitos parlamentares mudaram de partido. Marina Ramos/Agência Câmara

Quem cresceu

O maior ganho absoluto foi do Podemos, que passou de 18 deputados, já considerada a incorporação do PSC, para 27. O avanço representa nove cadeiras a mais, alta de 50% sobre a base ajustada da eleição.

O PSD também cresceu: saiu de 42 para 48 deputados, saldo positivo de seis cadeiras, ou 14,3%. Também ampliaram suas bancadas Republicanos, de 40 para 43 deputados; PSB, de 14 para 17; Federação PT-PCdoB-PV, de 81 para 83; Federação Psol-Rede, de 14 para 16; Novo, de 3 para 5; e Federação PSDB-Cidadania, de 18 para 19.

O PP ficou estável, com 47 deputados na eleição e 47 na bancada atual.

Quem perdeu

Na outra ponta, o União Brasil teve a maior perda em números absolutos. O partido elegeu 59 deputados em 2022 e aparece agora com 50, queda de nove cadeiras, ou 15,3%.

O PDT teve a maior queda proporcional entre as bancadas médias: caiu de 17 para 9 deputados, perda de oito cadeiras, ou 47,1%. Também encolheram MDB, de 42 para 38; PRD, de 5 para 2; Avante, de 7 para 5; Solidariedade, de 7 para 6; e PL, de 99 para 97.

Como foi feita a comparação

Para permitir a comparação com a configuração partidária de maio de 2026, o levantamento considera os efeitos de fusões e incorporações aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Assim, deputados eleitos por partidos incorporados ou fundidos foram somados às bancadas das legendas sucessoras.

O Podemos aparece com 18 deputados na base da eleição porque o número soma os 12 eleitos pelo próprio partido e os seis do PSC, incorporado à sigla em 2023. O Solidariedade aparece com sete porque soma os quatro eleitos pela legenda e os três do Pros, incorporado após a eleição.

No caso do PRD, a base de comparação é de cinco deputados, resultado da soma dos eleitos por Patriota, com quatro, e PTB, com um. O partido foi criado a partir da fusão entre as duas legendas, em decisão aprovada pelo TSE em 9 de novembro de 2023.

Há uma ressalva metodológica adicional. O TSE registra, em maio de 2026, a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e a Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade. No levantamento do Congresso em Foco, esses partidos foram mantidos separados porque é assim que a Câmara ainda apresenta as bancadas em sua página oficial.

Decisão do STF mudou parte do resultado

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a distribuição das sobras eleitorais alterou parte da composição da Câmara eleita em 2022. Na prática, sete deputados perderam o mandato em 2025 e foram substituídos por outros sete parlamentares.

Com a recontagem, o saldo líquido partidário ficou assim: PL perdeu duas cadeiras; União Brasil, MDB e PDT perderam uma cada; Podemos ganhou duas; e PSB, Federação PT-PCdoB-PV e Federação Psol-Rede ganharam uma cada. Essas alterações ajudam a explicar diferenças entre a bancada eleita conforme a base original da Câmara e o quadro posterior à decisão judicial.

Cláusula de barreira

O endurecimento da chamada cláusula de barreira ajuda a explicar a reorganização partidária em curso. Com exigências mais altas em 2026, partidos menores passaram a buscar fusões, incorporações ou federações para preservar acesso ao Fundo Partidário, ao tempo gratuito de rádio e TV e à estrutura de funcionamento parlamentar.

Em 2026, partidos e federações precisarão obter ao menos 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, distribuídos em nove estados, com mínimo de 1,5% em cada um; ou eleger 13 deputados federais em nove unidades da Federação. Em 2022, a exigência era menor: 2% dos votos válidos, com mínimo de 1% em nove estados, ou 11 deputados eleitos. Como mostrou o Congresso em Foco, ao menos 11 partidos estão ameaçados pela regra.

O novo patamar muda a lógica da disputa proporcional. Siglas com votação concentrada, bancadas pequenas ou dependência de poucos puxadores de votos terão de ampliar sua presença territorial. A cláusula não extingue partidos, mas tira de quem não atinge o desempenho mínimo o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de propaganda, reduzindo sua capacidade de financiamento, visibilidade e negociação política.

O retrato das bancadas mostra que a Câmara chega à eleição de 2026 mais pressionada pela cláusula de barreira e pelas reacomodações partidárias da legislatura. A disputa por sobrevivência, espaço nas federações e capacidade de eleger deputados ajuda a explicar por que as bancadas atuais já são bem diferentes daquelas definidas nas urnas em 2022.

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