A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) afirmou durante reunião de comissão especial da Câmara dos Deputados, que o fim da escala 6x1 será aprovado no Brasil.
Durante o discurso, Maria do Rosário criticou a resistência de parte do Congresso às pautas trabalhistas. Segundo ela, a votação da proposta só ocorre devido à mobilização popular e à pressão exercida sobre os parlamentares.
"Eles não têm como dizer não para a classe trabalhadora no ano eleitoral."
A votação do parecer na comissão, no entanto, acabou adiada após pedido de vista apresentado por parlamentares do colegiado. O relator tenta construir consenso em torno do modelo de transição da jornada semanal de trabalho.
Defesa da redução da jornada
Ao defender a proposta, Maria do Rosário afirmou que muitos trabalhadores já adotam jornadas compensatórias para evitar o trabalho aos sábados. Como exemplo, citou uma visita ao município de Rolante, no Rio Grande do Sul, onde conversou com funcionários da indústria calçadista.
Segundo a deputada, os trabalhadores do setor cumprem atualmente jornadas de 8 horas e 48 minutos por dia para concentrar a carga horária ao longo da semana. Com a eventual redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, esses profissionais teriam duas horas a menos de trabalho por semana.
A parlamentar afirmou que a discussão em andamento na Câmara não prevê uma transição gradual para o fim da escala 6x1, mas sim para a redução da carga horária semanal.
"Não tem transição para a finalização da jornada 6x1. A transição que está sendo aqui debatida é no que diz respeito às 44 horas para 40 horas."
Maria do Rosário também classificou a proposta como uma correção histórica nas relações de trabalho brasileiras e afirmou que o debate representa a superação de "40 anos de atraso" desde a promulgação da Constituição Federal.