Em entrevista ao Congresso em Foco durante o Fórum de Lisboa, o presidente do PSB e pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, fez um diagnóstico crítico da segurança pública.
Segundo João Campos, o Estado vive um aumento preocupante da violência e que a presença de facções criminosas é um fenômeno recente. "Pernambuco já foi referência e hoje amarga a terceira pior posição no crescimento da violência", disse.
Ex-prefeito do Recife, João Campos destacou a atuação de grupos como PCC e Comando Vermelho e o aumento dos casos de feminicídio. De acordo com o pré-candidato, essas organizações passaram a atuar de forma mais estruturada, com domínio de territórios, algo que não era comum no estado em anos anteriores.
"É lamentável, a gente vê em anos recentes uma presença de facções organizadas em territórios do Estado. A presença do Comando Vermelho e do PCC é uma realidade nova para Pernambuco. Não existia o domínio de territórios como está tendo nesse momento."
João Campos defendeu mudanças na condução da segurança pública, com foco em planejamento técnico e fortalecimento das forças policiais. O pré-candidato ao governo de PE também destacou a importância de investir em investigação para desarticular organizações criminosas.
"É preciso fortalecer a política pública de segurança que seja equilibrada do ponto de vista de gestão, que traga equilíbrio, construção técnica, que não seja feita em cima de viés ideológicos, mas em cima de uma construção técnica para fortalecer as polícias, investigar, desbaratinar as organizações criminosas que estão matando gente, que estão cometendo crime e tomando conta dos territórios."
Milícias digitais
Outra preocupação levantada por João Campos foi a chamada "milícia digital", que, segundo o pré-candidato, tem promovido ataques coordenados nas redes sociais para atingir sua imagem política.
João Campos afirmou que a ação envolve uso de robôs, disseminação de informações falsas e atuação estruturada de adversários. "Tenho sido atacado manhã, tarde e noite por uma verdadeira milícia digital", declarou. De acordo com Campos, os ataques fazem parte de uma estratégia artificial de desinformação.
O presidente do PSB destacou que há indícios de automatização nas publicações, o que indicaria uso de ferramentas digitais para ampliar o alcance das mensagens.
"Há presença de robôs, de informações falsas, instrumentalizadas por pessoas da política", afirmou. Segundo João Campos, esse tipo de prática tem como objetivo desgastar adversários e influenciar a opinião pública por meio de conteúdo manipulado.
Campos afirmou que o caso já foi identificado e denunciado às autoridades. "Isso já está sendo apurado pela Polícia Federal em Pernambuco", disse. A expectativa é de que as investigações consigam identificar os responsáveis e esclarecer como essas ações são financiadas.
João Campos também alertou que esse tipo de ataque pode não ser um caso isolado. "Imagino que outras pessoas no Brasil também estejam sofrendo dessa violência política digital", afirmou.
Escala 6x1
Em relação às articulações políticas enquanto presidente do PSB, João Campos comentou sobre uma das pautas de maior repercussão no Congresso atualmente: o fim da escala 6x1. Para o pré-candidato, a proposta de redução da jornada de trabalho deve ser aprovada sem grandes alterações no Senado.
"Eu acredito que não deve ter grandes mudanças e também há um sentimento de percepção de aprovação, então a gente espera que seja aprovado e que não demore muito a fazer isso."
O texto aprovado na Câmara (PEC 221/2019) reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, o que garante dois dias de descanso sem redução salarial. A proposta prevê implementação gradual, com queda inicial para 42 horas após 60 dias e, após um ano, a consolidação das 40 horas.