A vereadora Samantha Cavalca (Progressistas-PI), pré-candidata a deputada federal nas eleições de 2026, chamou manifestantes trans de "cosplay de Erika Hilton" durante uma sessão da Câmara Municipal de Teresina, marcada por protestos contra um projeto de lei que pretende restringir o uso de banheiros femininos por mulheres trans e travestis.
O grupo acompanhava a tramitação de projetos ligados à Política Municipal de Proteção da Mulher e contestava medidas que, segundo movimentos LGBTQIA+, afetam diretamente a população trans.
A fala ocorreu enquanto Samantha respondia ao vereador Pedro Alcântara (PP-PI) e reclamava das interrupções vindas da plateia.
"Olha, presidente, tem uma mulher falando e eu não vou admitir um bocado de marmanjo barbado e de peruca me interrompendo. Já basta! É um bocado de cosplay de Erika Hilton, rapaz."
A referência foi feita à deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), uma das principais representantes da pauta LGBTQIA+ no Congresso Nacional.
Após a declaração, manifestantes reagiram com vaias e palavras de ordem, aumentando a tensão no plenário. O presidente da sessão precisou interromper os trabalhos por alguns minutos para conter os protestos.
Projeto sobre banheiros
Os ativistas acompanhavam a sessão para se posicionar contra o projeto de lei nº 97/2026, de autoria do vereador Petrus Evelyn (PP-PI). A proposta integra a chamada Política Municipal de Proteção da Mulher e prevê a utilização de banheiros femininos exclusivamente por mulheres cisgênero.
O texto segue em tramitação na Câmara Municipal de Teresina e ainda precisa passar pelas etapas regimentais antes de ser submetido à votação em plenário.
Vereadora defende declaração
Após a repercussão, Samantha Cavalca afirmou que sua fala foi uma defesa dos direitos das mulheres e rejeitou acusações de transfobia. A vereadora sustentou que o debate sobre o projeto envolve diferenças biológicas entre homens e mulheres e voltou a defender a restrição do acesso de mulheres trans a banheiros femininos.
A parlamentar também criticou a atuação dos manifestantes, afirmando que as interrupções durante a sessão foram direcionadas às vereadoras presentes no plenário.
As declarações foram classificadas por integrantes de movimentos LGBTQIA+ como ofensivas e transfóbicas.