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Caso Master: BRB vê perda de R$ 8,8 bi e vai processar ex-gestores

Presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza diz que instituição vai ingressar com ação contra todos os ex-dirigentes citados no caso. Perdas estimadas chegam a R$ 8,8 bilhões.

9/6/2026
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O Banco de Brasília (BRB) vai ingressar com ações de responsabilidade civil contra ex-administradores envolvidos nas operações com o Banco Master. A informação foi dada nesta terça-feira (9) pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

"Abrimos apurações para todos os dirigentes, empregados e qualquer um que foi citado dentro do relatório da Machado Meyer ou de apurações que venham a chegar", afirmou Nelson aos senadores. Segundo ele, o banco vai "ingressar com ação de responsabilidade civil contra todos os ex-administradores".

Presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza falou à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.Andressa Anholete/Agência Senado

O presidente do BRB disse que a instituição já tomou medidas administrativas e judiciais relacionadas ao caso. De acordo com Nelson, há processos em andamento na Justiça ou em corregedorias, conforme a competência de cada apuração. O dirigente também confirmou que houve bloqueio de ações vinculadas às investigações.

Ao ser questionado sobre eventual bloqueio de bens de ex-gestores, o executivo afirmou que esse tipo de pedido não cabe diretamente ao banco. "Não somos nós que solicitamos", disse.

Ação contra o Master

O BRB já acionou o Banco Master na 13ª Vara Cível de Brasília. Na ação, o banco público pede indenização pela venda de carteiras de crédito apontadas como "podres" ou inexistentes.

O processo cita, entre os réus, o Banco Master, Daniel Vorcaro, João Carlos Mansur, Daniel de Faria Jerônimo Leite e Daniel Monteiro. Também aparecem na ação os fundos Bandeirante, Asterope FIP, Victoria FIM, 963 FIM, Siracusa, Borneo, Casamata, Delta e Deneb.

Durante a audiência, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), perguntou a Nelson sobre a apuração de uma transação envolvendo seis imóveis, avaliados em R$ 146,5 milhões, que teriam relação com supostas propinas pagas pelo Banco Master a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Nelson respondeu que essa investigação é de competência exclusiva da Polícia Federal.

Perdas de R$ 8,8 bilhões

Na audiência, Nelson também estimou em R$ 8,8 bilhões as possíveis perdas do BRB com as operações envolvendo o Banco Master. Segundo ele, a nova gestão identificou problemas em carteiras adquiridas pelo banco público.

O presidente explicou que as transações somaram R$ 30 bilhões. Desse total, R$ 21,9 bilhões permaneceram no BRB na forma de ativos, distribuídos em quatro carteiras. Dentro desse montante, R$ 12,2 bilhões deram origem à Operação Compliance Zero.

De acordo com Nelson, uma das carteiras apresentou problema imediato. "Foi identificado de imediato que R$ 2,6 bilhões, referentes à carteira Tirreno, não existiam, não tinham lastro nem qualquer respaldo", afirmou.

A partir dessa constatação, o banco ampliou a revisão sobre as demais carteiras. De acordo com o presidente do BRB, a instituição passou a analisar todos os ativos envolvidos na transação para definir o que precisaria ser provisionado.

Socorro do FGC

Nelson disse que a recomposição dos recursos passa por um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro de acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal entre União, Banco Central e BRB.

O restante viria da securitização de créditos da dívida ativa do Governo do Distrito Federal (GDF), estimada em R$ 52 bilhões. Segundo o presidente do banco, R$ 2,2 bilhões seriam obtidos por essa operação. Desse total, R$ 1,17 bilhão já teria sido incorporado ao BRB.

Durante a audiência, Nelson também defendeu a aprovação de um projeto em tramitação na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para formalizar o acordo firmado no STF. Ele classificou a medida como essencial para a reestruturação financeira da instituição.

Balanço de 2025

O presidente do BRB afirmou ainda que o balanço financeiro de 2025 será divulgado após a conclusão dos procedimentos de auditoria independente, validação contábil e tramitação regulatória exigidos pelos órgãos de controle.

Nelson disse que o banco tem interesse na divulgação das demonstrações financeiras e atribuiu o atraso à necessidade de garantir consistência técnica aos dados. "A quem mais interessa essa divulgação é ao próprio BRB", afirmou.

A audiência foi convocada pela CAE para que o presidente do BRB prestasse esclarecimentos sobre as operações realizadas com o Banco Master, seus impactos patrimoniais e as medidas adotadas pela nova gestão para apurar responsabilidades.

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