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Otoni de Paula critica uso político da igreja: "não é de Lula nem de Bolsonaro"

Deputado e pastor afirma que igrejas se perdem ao incorporar projetos políticos, e alerta sobre polarização no meio evangélico.

11/6/2026
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Em entrevista ao Congresso em Foco, o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) criticou o uso da religião como instrumento de promoção eleitoral. Pastor evangélico e fundador do Ministério Missão de Vida, no Rio de Janeiro, o congressista considera que a adesão a campos ideológicos afasta as igrejas protestantes de sua missão principal.

"Quando a igreja se permite ser de uma ideologia, quando a igreja se permite ser de direita, ela está cabendo em um espaço que nunca foi dela. Aliás, essa foi uma briga que eu comprei com o bolsonarismo, quando eu digo que a igreja não é de direita, a igreja não é de esquerda; a igreja não é de Lula, não é de Bolsonaro", declarou.

Parlamentar em segundo mandato, Otoni de Paula integrou a base aliada de Jair Bolsonaro. Os dois se afastaram gradualmente em meio a desentendimentos iniciados em 2022, culminando em uma ruptura definitiva nas eleições municipais de 2024.

Desde então, o deputado, que foi um dos primeiros a aderir à pré-campanha presidencial de Ronaldo Caiado, tornou-se uma voz crítica ao bolsonarismo. Ele defende a construção de novas lideranças no campo conservador e maior empenho para superar a dicotomia entre Lula e Bolsonaro.

Otoni afirma que a polarização e a busca por espaços de poder fogem ao escopo do pensamento evangélico. "Eu acho que a gente precisa voltar a entender qual é o nosso papel aqui, que não é um papel de poder. É um papel de evangelização, de manifestação do amor cristão, e no amor cristão não há ódio", disse.

Contradições no meio

Dentro do Parlamento, Otoni avalia que o bolsonarismo se afastou, ao longo dos últimos anos, dos próprios valores conservadores. Sem citar nomes, o deputado comparou o discurso de parte das lideranças de seu campo político com suas práticas durante o exercício do mandato. "Religião e hipocrisia caminham lado a lado", alertou.

"[O discurso religioso] te santifica sem a necessidade do arrependimento em Cristo. Portanto, isso é o que você olha no conservadorismo bolsonarista. É o cara que defende a vida desde a sua concepção, entra na igreja e pede voto, mas já fez aborto de três namoradas. É o cara que diz que é contra a prostituição, mas aqui em Brasília está em tudo quanto é casa de termas", descreveu.

Segundo o deputado, mesmo em contradição, candidatos com esse perfil "se sentem melhores do que qualquer outro, porque, afinal de contas, defendem Deus, pátria e família". O pastor fez referência a um trecho do livro do Apocalipse no qual Cristo critica a hipocrisia de igrejas que buscavam a riqueza material.

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